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Capítulo Organizacional

Este capítulo é considerado organizacional no modelo Security by Design - Theory of Everything (SbD-ToE).
A sua função é assegurar a adoção, governação e evolução sustentável das práticas de segurança definidas nos capítulos basilares e operacionais.

Os capítulos organizacionais estabelecem a estrutura humana e processual que permite consolidar o SbD-ToE na organização. Sem estes elementos, a segurança por design torna-se pontual e dependente de indivíduos, perdendo a consistência e resiliência organizacional necessárias à maturidade de longo prazo.

Formação e Capacitação

A formação em segurança é o elo que transforma prescrições técnicas em prática operacional, por exemplo:

  • Cap. 12 - Monitorização & Operações garante visibilidade em runtime, mas depende de equipas treinadas para interpretar alertas e reagir.
  • Cap. 14 - Governança & Contratação define compromissos organizacionais, mas só é eficaz se as equipas tiverem o conhecimento para os cumprir.

Para assegurar que a "segurança se vive e respira" e é parte do DNA da organização, é essencial cultivar esse corpo. Este capitulo define como a Segurança passa a ser algo intriseco à organização através de:

  • Programas de onboarding para novos elementos.
  • Formação contínua para Dev, QA, DevOps, AppSec, Gestão.
  • Programas de champions em segurança.
  • Exercícios práticos (labs, CTFs, simulações).
  • KPIs de eficácia formativa.
  • Integração em backlog e planos individuais de desenvolvimento.

👉 A excecionalidade deste capítulo é que coloca as pessoas como vetor de resiliência: uma organização pode ter pipelines seguros e requisitos definidos, mas se os engenheiros, testers, DevOps ou gestores não tiverem formação, a segurança, na prática. degrada-se.


🧪 2. Prescrição prática

  • O que fazer: plano formativo contínuo, onboarding com segurança, labs, métricas de eficácia.
  • Como: LMS com trilhas por perfil, champions por equipa, revisões periódicas.
  • Quando: onboarding inicial, ciclos trimestrais, sempre que novos controlos são introduzidos.
  • Porquê: reduzir erros humanos, criar cultura de segurança, cumprir regulatórios.

👥 Papéis envolvidos

  • Dev → receber formação prática em SAST, dependências, IaC.
  • QA/Testes → capacitação em fuzzing, regressões, validação.
  • AppSec → produzir conteúdos, ministrar formação, gerir champions.
  • DevOps/SRE → capacitação em pipelines seguros e monitorização.
  • Gestão/PMO → formação em aceitação de risco e governação.
  • RH/PeopleOps → gerir LMS, onboarding e planos individuais.
  • Champions → evangelizar e suportar equipas.
  • Terceiros → fornecedores com acesso devem receber formação mínima.

🔗 Integração no ciclo

A capacitação deve estar presente em todo o ciclo:

  • Planeamento: definição de requisitos de formação para cada perfil.
  • Desenvolvimento: labs e trilhas específicas integradas em backlog.
  • Testes/Release: exercícios de validação ligados a práticas seguras.
  • Operações: simulações de incidentes para treino de resposta.
  • Auditoria: recolha de métricas de eficácia (KPIs, auditorias internas).

👉 Assim, a formação deixa de ser “extra” e passa a ser parte intrínseca do SDLC.


📊 Rastreabilidade organizacional

  • KPIs de capacitação: taxa de conclusão, retenção de conhecimento, aplicação prática em auditorias.
  • Métricas de eficácia: redução de findings repetidos em código, diminuição de incidentes atribuídos a erro humano.
  • Governança: relatórios periódicos para GRC e integração em objetivos de performance individuais.
  • Conformidade: mapeamento direto para SSDF PO.3/PO.7 e SAMM PO2/PO3, garantindo cobertura normativa.

🏁 Conclusão

A formação é o que transforma processos em cultura.

  • Sem onboarding seguro, a organização acumula falhas básicas.
  • Sem formação contínua, as práticas ficam obsoletas.
  • Sem champions, as equipas ficam órfãs de liderança em segurança.
  • Sem métricas, não há melhoria contínua.

👉 Por isso, este capítulo é considerado basilar: é nele que se garante que o SbD-ToE não é apenas documentação, mas prática viva.


📜 Políticas Organizacionais Relevantes

PolíticaObrigatória?AplicaçãoConteúdo mínimo
Política de Formação ContínuaSimRH + AppSecPlano anual, LMS, revisão periódica
Política de Onboarding SeguroSimRH + GestãoFormação obrigatória no início
Política de Security ChampionsRecomendadoAppSec + DevPrograma formal com papéis claros
Política de Métricas de CapacitaçãoSimGRCKPIs, eficácia, relatórios de auditoria
Política de Exercícios PráticosRecomendadoAppSec + QA/DevLabs, CTFs, simulações

Na versão impressa, consultar o Anexo de Políticas Organizacionais do manual, onde estas políticas estão consolidadas transversalmente.