Este capítulo é considerado organizacional no modelo Security by Design - Theory of Everything (SbD-ToE).
A sua função é assegurar a adoção, governação e evolução sustentável das práticas de segurança definidas nos capítulos basilares e operacionais.
Os capítulos organizacionais estabelecem a estrutura humana e processual que permite consolidar o SbD-ToE na organização. Sem estes elementos, a segurança por design torna-se pontual e dependente de indivíduos, perdendo a consistência e resiliência organizacional necessárias à maturidade de longo prazo.
Governança & Contratação
Este capítulo assume um papel excecional no SbD-ToE. Enquanto capítulos anteriores prescrevem práticas técnicas, aqui define-se como estas práticas se tornam visíveis, auditáveis e governadas ao nível organizacional.
Fornece a estrutura para unificar esforços dispersos de equipas técnicas, garantindo que a segurança é vista e controlada pela organização, e introduz mecanismos de exceções formais, cláusulas contratuais e KPIs, que transformam segurança de um exercício local em um sistema de governação e responsabilização corporativa, através de:
- Definição de modelos de governação para segurança.
- Processo formal de gestão de exceções com registo e aprovação.
- Integração de cláusulas contratuais de segurança em procurement e outsourcing.
- Validação contínua de fornecedores (auditorias, due diligence).
- Rastreabilidade organizacional: visão consolidada de práticas por projeto.
- Definição e recolha de KPIs de governação (exceções, incidentes, cobertura formativa, etc.).
👉 É este capítulo que permite responder à pergunta crítica: “A organização consegue demonstrar, com evidência, o que está a ser feito em segurança por todas as equipas e fornecedores?”
🧪 2. Prescrição prática
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O que fazer:
- Criar modelo formal de governação de segurança.
- Estabelecer fluxo de exceções e aceitação de risco.
- Integrar cláusulas contratuais de SbD-ToE em fornecedores.
- Definir auditorias e validações de terceiros.
- Recolher e reportar KPIs de governação.
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Como fazer:
- Documentos aprovados por direção.
- Ferramenta de GRC para rastrear exceções e métricas.
- Integração com jurídico/procurement em novos contratos.
- Reporting periódico à gestão.
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Quando:
- Em todos os novos projetos e contratações.
- Sempre que há exceções aos controlos prescritos.
- Em ciclos trimestrais de governação.
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Porquê:
- Transformar segurança em prática institucionalizada.
- Tornar visível e auditável o estado de adoção.
- Garantir conformidade normativa (ISO 27001, NIS2, SSDF).
👥 Papéis envolvidos
- Dev → regista exceções e aplica práticas acordadas.
- AppSec → valida exceções, supervisiona rastreabilidade.
- DevOps/SRE → garante aplicação prática em pipelines e deploy.
- Gestão/PMO → aprova risco residual e governa adoção.
- Jurídico/Procurement → integra cláusulas de segurança em contratos.
- GRC/Conformidade → recolhe evidências, gere métricas e auditorias.
👉 Cada papel tem user stories associadas no aplicacao-lifecycle.md.
🔗 Integração no ciclo
A governação atua como camada horizontal que abrange todo o ciclo SbD-ToE:
- Planeamento: definição de cláusulas, políticas e métricas.
- Execução: registo de exceções, integração em contratos, reporting contínuo.
- Validação: auditorias a fornecedores, verificação de KPIs.
- Operações: integração com incidentes e monitorização.
- Auditoria organizacional: evidência consolidada de adoção por capítulo.
📊 Rastreabilidade organizacional
- Exceções registadas e aprovadas em ferramenta de GRC.
- Cláusulas contratuais rastreadas em contratos de fornecedores.
- KPIs consolidados em dashboard organizacional (ex.: % de equipas com champions, nº de exceções aprovadas, tempo médio de resolução).
- Ligação a frameworks normativos (ISO, NIS2, SSDF) assegura completude e conformidade.
🏁 Conclusão
Este capítulo é o que fecha o ciclo do SbD-ToE:
- Transforma práticas isoladas em processo organizacional audítavel.
- Dá visibilidade e transparência à gestão.
- Permite medir eficácia através de KPIs.
- Integra segurança em fornecedores e contratos.
👉 Sem este capítulo, o SbD-ToE fica limitado à prática técnica local.
👉 Com ele, torna-se um sistema de governação organizacional, credível e sustentável.
📜 Políticas Organizacionais Relevantes
| Política | Obrigatória? | Aplicação | Conteúdo mínimo |
|---|---|---|---|
| Política de Exceções de Segurança | Sim | AppSec + Gestão | Fluxo formal de pedido, aprovação e prazo |
| Política de Contratação Segura | Sim | Jurídico/Procurement | Cláusulas SbD-ToE, validação contínua |
| Política de Rastreabilidade Organizacional | Sim | GRC | Registo centralizado, dashboards |
| Política de Auditoria de Fornecedores | Recomendado | Procurement + AppSec | Auditorias periódicas de segurança |
| Política de KPIs de Governação | Sim | GRC + Direção | Métricas, relatórios, objetivos |
Na versão impressa, consultar o Anexo de Políticas Organizacionais do manual, onde estas políticas estão consolidadas transversalmente.