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SbD-ToE 4 CRA: Playbook de Implementação

Visão Geral​

Objetivo: Transformar requisitos CRA em ações concretas usando controlos existentes do SbD-ToE.

Princípio: Reutilizar > Inventar. Muitas capacidades (SBOM, patching, testes) já existem, mas a conformidade CRA exige também contexto de produto (contexto CTX-CRA, com os seus pisos e acrescentos), período de apoio (CTX-CRA-R01), reporting formal e rota documental própria. O papel de operador económico é uma qualificação jurídica, fora do âmbito do Manual.

O que o Manual cobre, o que é lacuna declarada e o que fica fora de âmbito está na análise normativa e, obrigação a obrigação, em Requisitos aplicáveis.

Este playbook é mais defensável quando aplicado a:

  • fabricante de produto com elementos digitais
  • fornecedor que precisa de organizar evidência técnica para uma leitura CRA
  • contextos com produto versionado, contacto de segurança, período de suporte e responsabilidades de operador económico

Fora desse contexto, o SbD-ToE continua útil como base técnica, mas a leitura já não é uma leitura CRA completa.

📚 Recursos de Suporte: Para templates práticos e exemplos de implementação, consultar Exemplo-Playbook com toolchains, KPIs, RACI e processos de vulnerability handling reutilizáveis.

Mapa Rápido CRA → SbD-ToE​

Área CRASbD-ToEAçãoEvidência
Ciclo de Vida SeguroCap. 02, Cap. 06, Cap. 07, Cap. 11Política ciclo de vida, período de apoio (CTX-CRA-R01) e gatesPolítica aprovada; pipeline YAML; registo do período de apoio
Vulnerability HandlingCap. 05, Cap. 10, Cap. 12Processo triagem + SLARegistos triagem; métricas SLA
SBOMCap. 05Geração contínua + exportFicheiros CycloneDX por release
Patching RápidoCap. 05, Cap. 07Workflow patch automáticoPull requests patch + tempos
Reporte ExploraçãoCap. 12, Cap. 14, Política 32 §6, CTX-CRA-R05Runbook técnico + interface de notificação regulatóriaRunbook; matriz de comunicação; JSON exemplo
Documentação SegurançaCap. 04, Cap. 11Guia de segurança do produto + ponto de contacto (GOV-015, piso CTX-CRA-P04) + fim do apoio (CTX-CRA-R01)PDF/Markdown guia publicado; tabela de suporte
ExceçõesCap. 02 addon 08, Cap. 14Política 12 §4 com o piso CTX-CRA-P02 (sem exceção para vulnerabilidade explorável conhecida na colocação no mercado)Registos exceções + aprovadores
Cadeia FornecimentoCap. 05, Cap. 09, Cap. 14DEP-006 com o piso CTX-CRA-P03; comunicação ao mantenedor (CTX-CRA-R04)Registo de aprovação de dependências

Fases de Implementação (≈ 6–9 meses)​

Fase 1 (M0–M1): Fundamentos, Scope Gate & Governance​

  1. Designar Owner CRA (GRC + AppSec)
  2. Criar Política "Segurança de Produto & CRA" (aprovada por gestão)
  3. Mapear roles SbD-ToE → papéis CRA (fabricante, importador, distribuidor, substantial modification quando aplicável); a qualificação é jurídica e fica fora do âmbito do Manual
  4. Declarar o contexto CTX-CRA por aplicação ou produto e classificar o risco em L1–L3 (Cap. 01). A categoria do produto nos anexos III e IV é outra classificação, que o L1–L3 não substitui (lacuna declarada: o Manual não a identifica)
  5. Determinar o período de apoio conforme CTX-CRA-R01 (critérios do art. 13.º, n.º 8, pelo menos cinco anos salvo utilização prevista inferior, fundamentação registada, notificação do fim do apoio)
    Evidências: Ata aprovação; classificação L1–L3 e declaração do contexto; política versão 1.0; registo de papéis e do período de apoio

Fase 2 (M1–M2): SBOM & Inventário​

  1. Ativar geração automática SBOM (build pipeline)
  2. Validar cobertura (≥95% componentes listados; meta indicativa, escolha do Manual)
  3. Criar export sanitized CycloneDX
  4. Repositório "SBOM Releases" (controlado, versionado)
    Evidências: SBOM v1; relatório cobertura; script export

Fase 3 (M2–M3): Vulnerability Handling & SLAs​

  1. Definir severidade (Critical/High/Medium/Low)
  2. Adotar a escada interna de remediação da Política 19 §4.3 (escolha do Manual, não prazo do CRA)
  3. Automatizar criação de issue para CVE crítico
  4. Dashboard patch compliance
    Evidências: Política SLA; dashboard inicial; issues exemplo

Fase 4 (M3–M4): Testes & Gate Release​

  1. Integrar SAST/DAST/fuzzing pipeline
  2. Gate que bloqueia qualquer vulnerabilidade explorável conhecida, em qualquer nível (DEP-002, piso CTX-CRA-P01)
  3. Exceções para vulnerabilidades exploráveis conhecidas: não admitidas na colocação no mercado (piso CTX-CRA-P02)
  4. Template relatório qualidade release
    Evidências: Logs pipeline; configuração gate; relatório release #1

Fase 5 (M4–M5): Disclosure & Comunicação Externa​

O Manual prescreve a política de divulgação coordenada e o canal de receção (GOV-015); no contexto CRA são obrigatórios em qualquer nível, com ponto de contacto único (piso CTX-CRA-P04). Os passos abaixo implementam esse requisito.

  1. Publicar security.txt + chave PGP
  2. Página "Vulnerability Disclosure Policy"
  3. Runbook triagem reporte externo
  4. Canal email/portal dedicado
  5. Identificar ponto de contacto de segurança para utilizadores e investigadores
    Evidências: Página pública; registo primeiro teste reporte; contacto publicado

Fase 6 (M5–M6): Reporte de Exploração Ativa​

  1. Definir critérios de "explorada ativamente" (IOC, telemetria confirmada)
  2. Criar script export JSON incidente + SBOM componente afetado
  3. Runbook de notificação à CSIRT designada como coordenadora e à ENISA, através da plataforma única (alerta precoce ≤24 h, notificação ≤72 h e relatório final (art. 14.º; aplicável desde 11.9.2026)), e matriz de comunicação a utilizadores (art. 14.º, n.º 8). Base no Manual: Política 32 §6 e o critério de incidente grave CTX-CRA-R05; o conteúdo mínimo de cada notificação e o relatório intercalar são lacuna declarada
  4. Simulação exercício interno
    Evidências: Script; runbook; relatório exercício; matriz de comunicação

Fase 7 (M6–M7): Documentação de Segurança do Produto​

  1. Escrever Guia Segurança (instalação segura, atualização, contacto, período de apoio e data do seu fim conforme CTX-CRA-R01). A instalação e utilização seguras, o efeito de alterações na segurança dos dados e a desativação e remoção de dados são lacuna declarada do Manual (anexo II, ponto 8)
  2. Validar com AppSec + engenharia
  3. Publicar versão 1.0 (Markdown/PDF)
  4. Processo atualização por release
    Evidências: Guia v1; diff v1→v2 (exemplo)

Fase 8 (M7–M8): Cadeia Fornecimento Expandida​

Firmware e hardware estão fora do âmbito do Manual, que é centrado na aplicação; esta fase só se aplica se a organização tiver processo próprio. A integridade dos componentes de software de terceiros é DEP-006 (piso CTX-CRA-P03).

  1. Inventariar firmware/hardware (se aplicável)
  2. Checklist integridade (hash, assinatura, origem)
  3. Processo atualização segura (secure channel)
  4. Métrica cobertura supply chain (≥90%; meta indicativa, escolha do Manual)
    Evidências: Checklist preenchida; métrica cobertura

Fase 9 (M8–M9): Métricas & Melhoria Contínua​

  1. Métricas: MTTP (Mean Time To Patch), % SLA cumprido, vulns abertas por severidade
  2. Reunião retrospectiva trimestral
  3. Plano melhoria (top 3 blockers)
  4. Ajuste políticas conforme revisão legal/regulatória
    Evidências: Dashboard; ata retrospectiva; plano melhoria

Checklists​

Checklist SBOM​

  • Pipeline gera SBOM automaticamente
  • Formato CycloneDX/SPDX validado
  • Export sanitized criado
  • Versão SBOM associada a release
  • Cobertura ≥95% componentes
  • Processo atualização documentado

Checklist Vulnerability Handling​

  • Severidade definida (Critical/High/Medium/Low)
  • SLA patch documentado
  • Issues automáticas para críticos
  • Dashboard patch compliance ativo
  • Política exceções CRA publicada, com o piso CTX-CRA-P02
  • Nenhuma exceção para vulnerabilidade explorável conhecida em release para o mercado (piso CTX-CRA-P02)

Checklist Release Gate​

  • SAST integrado
  • DAST integrado
  • Fuzzing (se aplicável)
  • Gate bloqueia vulnerabilidade explorável conhecida (anexo I, parte I, ponto 2, al. a)), não só CVE crítico
  • Relatório qualidade release arquivado
  • Processo de exceção formal restrito a vulnerabilidades com análise documentada de não explorabilidade no produto (piso CTX-CRA-P02)

Checklist Disclosure​

  • security.txt publicado
  • Chave PGP acessível
  • Página política disclosure publicada
  • Canal reporte funcional (email/portal)
  • Runbook triagem interna
  • Ponto de contacto de segurança identificado
  • Tempo resposta médio <5 dias úteis para reportes sem indício de exploração; com indício de exploração ativa, triagem ≤4 h e trilho do art. 14.º (escolha do Manual)

Checklist Reporte Exploração​

  • Critérios "explorada ativamente" definidos
  • Script export JSON pronto
  • Runbook de notificação do art. 14.º (24 h / 72 h / relatório final)
  • Conteúdo mínimo de cada notificação (Estados-Membros, natureza, medidas, sensibilidade da informação) — lacuna declarada no Manual
  • Relatório intercalar a pedido da CSIRT — lacuna declarada no Manual
  • Percurso rápido: triagem ≤ 4 h com indício de exploração ativa (escolha do Manual); alerta precoce ≤ 24 h após o conhecimento
  • Matriz de comunicação a utilizadores
  • Simulação concluída
  • Evidência testes arquivada

Checklist Documentação Segurança​

  • Guia instalação segura
  • Guia atualização + rollback
  • Contacto segurança (security@)
  • Período de apoio determinado e fundamentado (CTX-CRA-R01)
  • Data de fim de suporte comunicável
  • Recomendações configuração endurecida
  • Secção gestão de vulnerabilidades
  • Versão e data
  • Documentação técnica (incluindo a SBOM) e declaração de conformidade UE conservadas por pelo menos 10 anos após a colocação no mercado ou pelo período de apoio, consoante o que for mais longo (art. 13.º, n.º 13). Lacuna declarada: o Manual aplica os 10 anos à SBOM e ao pacote de evidências, mas não ainda às versões do threat model nem aos registos de aprovação; a declaração UE é do fabricante e fica fora do âmbito do Manual

Checklist Supply Chain Física (se aplicável)​

Fora do âmbito do Manual; incluir apenas se a organização tiver processo próprio.

  • Lista firmware/hardware
  • Hashes/assinaturas verificados
  • Canal atualização seguro
  • Processo de validação integridade
  • Registos auditáveis

Métricas-Chave​

MétricaDefiniçãoObjetivo Inicial
MTTP CríticoTempo médio até patch crítico≤ SLA do nível (Política 19 §4.3; 3 dias em L3)
% SLA Cumprido(Vulns patch dentro SLA) / total≥90% (escolha do Manual)
Cobertura SBOM% componentes identificados≥95%
Tempo Médio Resposta DisclosureReceção → primeira resposta≤5 dias úteis sem indício de exploração; triagem ≤4 h com indício de exploração ativa (escolha do Manual)
Gate EfetividadeReleases com vulnerabilidade explorável conhecida bloqueadas100% (piso CTX-CRA-P01)
Exceções sobre Exploráveis ConhecidasNº exceções ativas sobre vulnerabilidades exploráveis conhecidas em release para o mercado0 (piso CTX-CRA-P02)

Artefactos a Manter (Data Room)​

ArtefactoTipoFrequência Atualização
Política Segurança Produto & CRADocumentoAnual / quando requisito muda
Registo de Papéis CRA & Período de Apoio (CTX-CRA-R01)DocumentoPor linha de produto / revisão de release
SBOM ReleasesFicheirosCada release major/minor
Dashboard VulnerabilidadesPainelContínuo (live)
Relatórios Qualidade ReleaseDocumentoCada release
Guia Segurança ProdutoDocumentoCada release major
Runbook Exploração AtivaDocumentoAnual / exercícios
Registos DisclosureTickets / IssuesContínuo
Checklist Supply ChainDocumentoTrimestral

Exceções (Política Resumida)​

Regra CRA: uma vulnerabilidade explorável conhecida não é excetuável na colocação no mercado, seja qual for a severidade (piso CTX-CRA-P02). O piso não admite justificação nem aprovação de nenhum nível. As categorias abaixo aplicam-se apenas a vulnerabilidades sem exploração conhecida e a produtos já no mercado, no âmbito do tratamento sem demora.

Categorias:

  • Inaceitáveis: RCE crítico, bypass autenticação, exposure credenciais em claro
  • Aceitáveis (TTL da Política 05 §7: Critical 7 dias com plano de remediação; não aceitável em L3): Crítico sem patch disponível, com compensação robusta e análise documentada de que a vulnerabilidade não é explorável no produto (p. ex. componente não usado ou não alcançável). Uma vulnerabilidade explorável conhecida nunca é aceitável na colocação no mercado (pisos CTX-CRA-P01/P02; o critério da lei é a explorabilidade, não a exploração ativa)
  • Aceitáveis (TTL da Política 05 §7: High 90 / 30 / 14 dias em L1 / L2 / L3): High com mitigação parcial e análise documentada de que não é explorável no produto

Registos: ID | Vulnerabilidade | Severidade | Justificação | Aprovador | TTL | Mitigação | Data Revisão

Escalação (só para vulnerabilidades não exploráveis no produto; alçadas da Política 05 §6): Critical → CISO (L2; não aceitável em L3); High → AppSec ou CISO, conforme o nível; Medium/Low → AppSec.


Próximos Passos Depois da Fase 9​

  1. Avaliação formal conformidade (legal + técnico)
  2. Preparar documentação para eventual auditoria/regulador
  3. Integração com outras normas (ex: DORA, NIS2) - evitar duplicação
  4. Refinar métricas (MTTP por componente, densidade vulnerabilidades)
  5. Automatizar geração relatório trimestral CRA

Recursos Práticos de Implementação​

Para suporte concreto na implementação deste playbook, consultar os seguintes exemplos reutilizáveis:

Estes recursos demonstram implementações práticas das abstenções deliberadas do SbD-ToE.


Referências​

  • Análise normativa CRA
  • SbD-ToE Capítulos 01–14
  • ENISA: Vulnerability Disclosure Guidelines
  • ISO/IEC 29147 & 30111
  • CycloneDX, SPDX

Versão: 1.1
Data: Setembro 2026 (alinhada com a matriz de cobertura e o contexto CTX-CRA)
Nota: Este playbook complementa a análise normativa CRA com abordagem sequencial prática e não substitui a rota formal de conformidade do regulamento.