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🧪 Estudo de Caso - Aplicar o SbD-ToE ao Próprio Pipeline CI/CD

Este estudo de caso descreve a aplicação transversal e rigorosa do manual Security by Design - Theory of Everything (SbD-ToE) ao próprio sistema de pipelines CI/CD de uma organização.

O objetivo foi tratar os pipelines como ativos críticos (nível L3), com ciclo de vida, riscos e controlos equiparáveis aos de qualquer produto de software sensível.

A abordagem seguiu todas as fases do ciclo de vida descritas no manual - desde o risco à operação - com validações, rastreabilidade e automatização como pilares centrais.


🧭 Contexto e decisão

A organização opera múltiplas aplicações em ambientes regulados. Após uma avaliação baseada no Capítulo 01 - Gestão de Risco, foi identificado que:

  • O pipeline CI/CD tem acesso privilegiado a código, artefactos, segredos e infraestrutura;
  • É o ponto de entrada para todo o ciclo de vida de software;
  • A sua integridade condiciona a segurança de todo o SDLC.

Decisão estratégica: Tratar os pipelines como software de elevada criticidade (nível L3), e aplicar o SbD-ToE como se de um produto se tratasse.


📐 Arquitetura desenhada

Foi adotada uma arquitetura modular e segura (Cap. 04):

  • Pipelines como código (.yaml) em repositório dedicado com controlo de alterações;
  • Templates centrais versionados, com política de aprovação formal;
  • Runners segregados (build/test/deploy), com isolamento e descarte;
  • Gestão dinâmica de segredos via Vault (Cap. 03, 06);
  • Mirrors internos para NPM, Maven, Docker (Cap. 05);
  • Proveniência e assinatura dos artefactos gerados (Cap. 07);
  • Logging completo com auditabilidade de execuções (Cap. 11).

🔍 Threat modeling

O exercício de threat modeling (Cap. 03) identificou riscos como:

  • Spoofing: execução de pipelines em runners não autorizados → mitigado com labels restritos e workers dedicados.
  • Tampering: alteração silenciosa de templates → mitigado com PR obrigatórios e revisões.
  • Information Disclosure: acesso indevido a secrets → mitigado com âmbito mínimo e logs validados.
  • Elevation of Privilege: tasks inline com permissões excessivas → mitigado com revisão manual e catálogo controlado.

🛠️ Desenvolvimento seguro dos próprios pipelines

Aplicando o Cap. 06:

  • Todo o código de pipeline é versionado, com revisão obrigatória;
  • Linters e scanners analisam .yaml, scripts embutidos, módulos reutilizados;
  • Tasks, Actions e extensões são incluídas num SBOM próprio, com validação contínua (Cap. 05);
  • Foram definidos requisitos não funcionais específicos, ex. CI-CD-004, CI-CD-006, REQ-014, REQ-024.

🧪 Testes aplicados ao pipeline

Com base no Cap. 10:

  • SAST sobre scripts auxiliares e tarefas embutidas;
  • Análise de segredos e permissões excessivas;
  • Testes de regressão para garantir enforcement de gates;
  • Execuções sandbox com rastreabilidade de inputs/outputs.

🔐 Gestão de dependências, imagens e SBOM

  • SBOM do pipeline gerado com syft + trivy;
  • Dependências externas (ex: Actions, plugins) auditadas e versionadas;
  • Runners baseados em containers verificados, hardened, com validação de assinatura (Cap. 09);
  • Política de exceções com validade e rastreabilidade (Cap. 05, 14).

📦 Deploy e execução

  • O próprio pipeline é deployed com rastreabilidade total;
  • Logs são enviados para sistema central com alertas de anomalias;
  • A cada alteração relevante, é obrigatória nova revisão de threat modeling e validação funcional.

🎓 Formação e onboarding

  • Criado um módulo de formação (Cap. 13) para equipas Dev e DevOps:
    • Boas práticas de alteração de pipelines;
    • Validação e rastreabilidade;
    • Como interpretar resultados de segurança.
  • User stories e cartões incluídos no backlog técnico da equipa CI/CD.

📊 Governação e visibilidade

  • Scorecard de conformidade CI/CD atualizado trimestralmente;
  • Exceções auditáveis e aprovadas por segurança (Cap. 14);
  • Integração com auditorias internas e monitorização de maturidade.

✅ Conclusão

Este caso demonstra a aplicação transversal e coerente do manual SbD-ToE a um sistema crítico de CI/CD.

Tratar o pipeline como um produto de software, com risco L3, permitiu:

  • Reduzir drasticamente riscos de supply chain;
  • Ganhar visibilidade e rastreabilidade fim-a-fim;
  • Automatizar decisões de segurança no ciclo de vida de desenvolvimento e operação.

A abordagem é escalável e replicável noutras organizações.

💡 Este é um exemplo completo da aplicação do SbD-ToE como framework operativo.