Pular para o conteúdo principal

🧭 Recomendações Avançadas - Gestão de Risco

Este anexo apresenta práticas não obrigatórias, mas altamente recomendadas para organizações que pretendam alcançar níveis mais elevados de maturidade e auditabilidade na gestão de risco aplicada ao ciclo de vida de software.

Estas recomendações complementam as práticas obrigatórias do Capítulo 01, podendo ser adotadas de forma progressiva consoante:

  • O contexto regulatório aplicável;
  • O apetite e tolerância ao risco da organização;
  • O nível de maturidade pretendido (ex: ISO 27001, SOC 2, PCI-DSS);
  • Os objetivos estratégicos de visibilidade e governança.

1. Integração com Ferramentas de GRC

  • Integrar o modelo de classificação e aceitação de risco com ferramentas corporativas de GRC (Governance, Risk & Compliance), como:
    • ServiceNow Risk
    • Archer GRC
    • Riskonnect, entre outras.
  • Esta integração permite:
    • Alinhar decisões técnicas com riscos organizacionais;
    • Suportar processos de auditoria internos e externos;
    • Garantir rastreabilidade centralizada das decisões.

2. Justificativas Estruturadas de Aceitação de Risco

  • Adotar um modelo formal de aceitação de risco informada, com os seguintes campos mínimos:
    • Descrição e impacto do risco;
    • Motivo da aceitação;
    • Alternativas consideradas;
    • Compensações aplicadas (se existirem);
    • Responsável pela decisão e validade temporal;
  • Deve ser versionado, rastreável e auditável.

3. SLA para Revisão da Classificação de Risco

  • Estabelecer prazos máximos para revisão formal da classificação, como:
    • L3: reavaliação a cada 90 dias;
    • L2: a cada 180 dias;
    • L1: até 365 dias.
  • Automatizar alertas e tarefas no backlog de segurança.

4. Suporte à Decisão com Visualização de Risco

  • Usar ferramentas de visualização para:
    • Matrizes de calor (heatmaps) por aplicação ou equipa;
    • Dashboards com cruzamento risco vs controlo aplicado;
    • Alertas visuais de classificações expiradas.
  • Facilita a comunicação com gestão, auditoria e stakeholders não técnicos.

5. Versionamento e Auditoria de Classificações

  • Manter registo histórico de todas as classificações com:
    • Timestamp e autor;
    • Motivo da alteração;
    • Referência cruzada à release ou mudança técnica;
    • (Opcional) Hash digital para verificação de integridade.
  • Essencial para conformidade com ISO 27001, SOC 2, NIS2 e similares.

6. Alinhamento com Apetite ao Risco da Organização

  • Definir níveis de risco (L1/L2/L3) alinhados com o apetite formal da organização.
  • Permite:
    • Customização por tipo de aplicação (ex: SaaS, internos, regulados);
    • Apoio à priorização orçamental de controlos;
    • Coerência entre risco aceite e investimento em segurança.

7. Revisão Cruzada entre Equipas (Peer Review)

  • Estabelecer um processo de validação cruzada de classificações por outras equipas (ex: entre produtos, AppSec, arquitetura).
  • Benefícios:
    • Redução de viés individual;
    • Aumento da maturidade coletiva;
    • Promoção de consistência e boas práticas.

8. Formação Técnica Especializada

  • Incluir nos planos formativos:
    • Avaliação de risco técnico aplicada ao SDLC;
    • Leitura e interpretação dos eixos de classificação;
    • Documentação e rastreabilidade para auditorias.
  • Preferencialmente ligada aos trilhos de formação por perfil definidos no Cap. 13.

📌 Nota Final

Estas práticas não são obrigatórias para cumprimento mínimo do modelo SbD-ToE, mas são altamente recomendadas para organizações que pretendam:

  • Aumentar a eficiência e visibilidade da gestão de risco;
  • Obter ganhos de maturidade, rastreabilidade e auditabilidade;
  • Reduzir dependência de processos informais em decisões críticas de segurança.

✅ A sua adoção pode ser gradual, alinhada com a capacidade da organização e com os requisitos regulatórios aplicáveis.