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Política de Mandates de Agentes AI

1. Objetivo

Esta política define o ciclo de vida do mandate de cada agente AI em uso operacional na organização: como se regista, quem é o owner, que nível de autonomia (A0–A4) lhe atribuímos, que tools pode invocar, em que ambientes opera, e com que cadência revemos.

Operacionaliza directamente o requisito REQ-AGN-001 do Cap. 02 e suporta o requisito arquitectónico ARC-015 do Cap. 04. A Policy 16 — Uso de Ferramentas de Apoio ao Desenvolvimento (secção 11) cobre as regras operacionais para agentes A2+; esta Policy 38 cobre o contrato sob o qual o agente opera.

🧭 Em duas frases: a Policy 16 diz o que o agente pode e não pode fazer; esta Policy 38 diz quem decidiu, com que autoridade, durante quanto tempo, e quando voltamos a perguntar.

2. Âmbito

Esta política aplica-se a qualquer agente AI em uso operacional na organização que opere em nível A1 ou superior, incluindo (sem carácter exclusivo):

  • Clientes AI com capacidade de tool-use que actuam em recursos da organização (Claude Code, Cursor agent mode, Copilot Workspace, Devin, agentes construídos sobre Anthropic SDK ou OpenAI Assistants API)
  • Agentes integrados em CI/CD (auto-fix de findings SAST, geração e merge de PRs, atualização de dependências assistida)
  • Agentes de operação (remediação de alertas, moderation, manutenção automatizada)
  • Agentes de produto que actuam em sistemas internos por instrução de utilizador final

Não está no âmbito:

  • Uso A0 (consulta sem execução), que continua coberto pela Policy 16 secções 1–10
  • Modelos AI que são parte do produto sem capacidade de tool-use externa (caem em Cap. 04 ARC-014 e cross-check AI Act)

3. Princípio fundamental: o mandate é um acto formal de autorização

Um mandate é a forma como a organização declara, por escrito e versionada, que autoriza este agente, com este nível de autonomia, a actuar neste escopo, durante este período, sob este owner, com este kill-switch. Não é metadado — é um contrato interno entre quem opera o agente e quem responde pelo seu efeito.

aviso

Operar um agente A1+ sem mandate válido é o equivalente a dar acesso production a uma identidade não-humana sem revisão IAM. Esta prática é proibida em qualquer nível de criticidade.

A4 exige adicionalmente mandate assinado pelo CISO (ou equivalente); sem essa assinatura, o agente não opera em A4.

4. Conteúdo mínimo de um mandate

Cada mandate é um documento versionado em VCS (formato Markdown ou YAML, à escolha da organização — o conteúdo é que importa) com, no mínimo:

CampoConteúdoNotas
agent_idIdentificador único do agenteDistinto por agente e por ambiente (e.g. sbd-toe-pr-auditor@staging)
agent_runtimeCliente AI e versão; modelo subjacente e versão pinnedE.g. Claude Code 1.x + claude-opus-4-7; latest proibido
autonomy_levelA0 / A1 / A2 / A3 / A4Conforme Cap. 02
scopeRepositórios, namespaces, sistemas, dados sobre os quais operaLista positiva; sem wildcards desnecessários
tools_allowlistTools permitidas com argumentos máximos e destrutividadeCada tool etiquetada como read / write / destructive / external
environmentsOnde opera (dev, staging, prod, …)Identidade dedicada por ambiente (Cap. 04 ARC-011 + ARC-015)
identity_refWorkload identity / service account / OIDC subjectSem reuso de credenciais humanas
ownerHumano responsável pela operaçãoNecessariamente humano; com backup nomeado
approverQuem aprovou o mandatetech lead (L1), appsec + tech lead (L2), CISO + appsec + grc (L3 ou A4)
kill_switchProcedimento + responsável + tempo máximo de efeitoDocumentado e exercitável (REQ-AGN-003)
intent_audit_sinkOnde aterram os intent events (REQ-AGN-004)Sistema observável (Cap. 12)
review_cadenceQuando voltamos a perguntarA1: anual · A2: anual · A3: semestral · A4: trimestral
effective_from / effective_untilJanela de validade do mandateeffective_until obrigatório; sem mandates "para sempre"
risk_residualO que esta autorização não cobre / aceitaHonesto sobre limites

💡 Templates de exemplo: ver 020-assets/templates/mandate-agente.yaml quando estiver publicado. Até lá, o esquema acima é suficiente para começar.

5. Ciclo de vida do mandate

[Proposta] → [Avaliação] → [Aprovação] → [Activação] → [Operação] → [Revisão / Renovação | Revogação]

5.1 Proposta

Quem quer operar um agente em A1+ submete proposta de mandate contendo todos os campos da secção 4 e justificação do nível de autonomia escolhido. A justificação responde a "porquê A2 e não A1?" — não basta declarar; é preciso fundamentar.

5.2 Avaliação

CritérioQuem avalia
Adequação técnica do nível ao trabalho realtech lead + appsec
Adequação do scope e da tools_allowlist (least privilege)appsec
Adequação do kill-switch e tempo de efeitoappsec + devops
Cobertura de testes de revert (A3+)qa + tech lead
Conformidade regulatória (AI Act, RGPD, etc., se aplicável)grc / compliance

5.3 Aprovação

NívelAprovador exigido
A1tech lead
A2tech lead + appsec
A3tech lead + appsec + grc
A4CISO (assinatura formal) + appsec + grc

A aprovação é registada no próprio mandate (campo approver + commit assinado em VCS).

5.4 Activação

Ao activar, verificamos pré-requisitos operacionais:

  • Identidade efémera do agente criada (identity_ref resolve a workload identity real)
  • Scope e tools_allowlist configurados na infraestrutura (não apenas declarados no doc)
  • Kill-switch testado em sandbox/staging com cronómetro registado
  • Sink de intent events a receber eventos de teste
  • Notificação a owner + backup configurada

Sem todos os pré-requisitos, o agente fica em A1; não opera no nível pedido.

5.5 Operação

Durante a operação o mandate é a fonte da verdade do que o agente pode fazer. Qualquer alteração de scope, tools_allowlist ou autonomy_level obriga a novo ciclo Proposta → Aprovação — não há amendments informais.

5.6 Revisão / Renovação

Na cadência declarada (review_cadence), o owner + appsec revêem:

  • Intent events da janela: intent-action divergence observada?
  • Off-policy actions registadas?
  • Kill-switch exercitado conforme cadência exigida (A3 trimestral, A4 mensal)?
  • Provider de modelo manteve a versão pinned?
  • Tools_allowlist continua proporcional ao trabalho real?

Resultado: renovação (com ou sem alterações), descida de nível, ou revogação.

5.7 Revogação

Revogação é executada imediatamente pelo kill-switch nas situações:

  • Off-policy action com efeito material
  • Prompt injection bem-sucedida resultando em tool call não autorizada
  • Credential exposure da identidade do agente
  • Falha de kill-switch (mesmo sem incidente material — quebra de confiança operacional)
  • Alteração silenciosa do provider/modelo (e.g. AI supply chain "rug pull", AML.T0109)

Revogação não é sinónimo de extinção definitiva — pode haver re-emissão após análise post-mortem e mandate novo.

6. Revisão periódica obrigatória do registo organizacional

Independentemente das revisões por mandate, a organização revê o conjunto dos mandates activos com cadência:

Nível de riscoCadência da revisão organizacional
L1Anual
L2Semestral
L3Trimestral

A revisão organizacional cobre: mandates sem owner activo (ex: pessoa saiu da empresa), mandates com effective_until ultrapassado, agentes operacionais sem mandate correspondente, e mandates em níveis que não justificam (sub-uso ou overprivilege).

7. Responsabilidades

RoleResponsabilidade
Owner do agenteSubmeter proposta de mandate; operar dentro do scope; reportar incidentes; participar em revisões; exercitar o kill-switch conforme cadência
AppSec EngineerAvaliar adequação técnica e least privilege; rever intent events; aprovar A2+; auditar mandates activos
Tech LeadAprovar A1/A2; garantir que a equipa segue esta política; nomear owner e backup
DevOps / SREProvisionar workload identity efémera, kill-switch operacional, sink de intent events; garantir tempo de efeito do kill-switch
GRC / ComplianceAvaliar conformidade regulatória; aprovar A3/A4; conduzir revisão organizacional periódica
CISOAssinar mandates A4; aprovar política e revisões; arbitrar conflitos de escopo
AuditoresAuditar registo de mandates + intent events vs acções reais; flag de divergências

8. Proporcionalidade por nível de criticidade

RequisitoL1L2L3
Mandate registado para A1+ObrigatórioObrigatórioObrigatório
A2 permitido em produçãoNãoSim (com guardrails)Sim (com guardrails reforçados)
A3 permitido em produçãoNãoSim (com revert demonstrado)Sim (apenas com auditoria mensal informal)
A4 permitidoNãoNão (excepto excepção formal aprovada pelo CISO)Sim (com mandate assinado)
Revisão organizacional do registo de mandatesAnualSemestralTrimestral
Mandate assinado pelo CISOApenas A4 (raro)Apenas A4A4 sempre; A3 recomendado

9. Gestão de exceções

Excepções a esta política seguem o processo formal definido no Cap. 14 e na Policy 05 — Gestão de Excepções:

  • Excepção tem TTL explícito (recomendado ≤ 90 dias).
  • Excepção em A3/A4 exige aprovação adicional do CISO.
  • Excepções acumuladas (>2 sobre o mesmo agente em 12 meses) obrigam a revisão do mandate.

10. Revisão e auditoria desta política

Esta política deve ser revista semestralmente dada a rápida evolução das capacidades de agentes AI, ou após qualquer um dos seguintes eventos:

  • Incidente envolvendo off-policy action, intent-action divergence ou prompt injection bem-sucedida em agente A1+
  • Alteração regulatória aplicável (AI Act, NIS2, DORA, RGPD) com impacto em autonomia de agentes
  • Mudança significativa nas capacidades dos runtimes AI suportados (e.g. nova classe de tool-use)
  • Revisão da Policy 16 — Uso de Ferramentas de Apoio ao Desenvolvimento com impacto no perímetro

11. Referências normativas e técnicas

ReferênciaRelevância
SbD-ToE Cap. 02 (addon 09-governaca-automatismos)Modelo A0–A4 e requisitos REQ-AGN-001..004
SbD-ToE Cap. 03 (playbook agentic)Threat library para agentes com tool-use
SbD-ToE Cap. 04 (ARC-015)Padrões arquitectónicos: agente como principal isolado
SbD-ToE Cap. 14 — Governança e ContrataçãoExcepções, contratação, auditoria
Policy 16 — Uso de Ferramentas de Apoio ao DesenvolvimentoRegras operacionais A2+
Policy 05 — Gestão de ExcepçõesProcesso formal de excepções
Policy 18 — Gestão de SegredosIdentidade efémera (OIDC) — padrão herdado
MITRE ATLASCatálogo de tactics/techniques adversariais (Threats AML.T* referenciadas em Cap. 03 playbook agentic)
OWASP Top 10 for LLM Applications (2025)LLM06-2025 Excessive Agency, LLM01-2025 Prompt Injection
OWASP MCP Top 10 (2025)Aplicável quando o agente expõe ou opera um MCP server próprio — tool poisoning, excessive permissions, autenticação/autorização, monitorização
NIST AI RMF 1.0 (2023) + Generative AI Profile (2024)GOVERN-1.x (políticas e ownership); MANAGE-4.x (revisão e revogação)
NIST SP 800-207Zero Trust — agente como principal não-humano
NIST SP 800-218ASSDF Profile for GenAI
ISO/IEC 42001:2023AI Management System — ciclo de vida, ownership, revisão
EU AI Act (Reg. (UE) 2024/1689)Art. 14 (Human oversight); Art. 26 (Obrigações de deployers) — ver cross-check AI Act