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Processo Canónico de Gestão de Excepções

Este documento define o processo canónico de gestão de excepções no SbD-ToE.

É o documento de referência para todos os capítulos do manual. Cada capítulo de domínio especifica os seus triggers próprios, campos adicionais e integração com ferramentas - mas o processo, as alçadas e o lifecycle são invariantes e definidos aqui.

Uma excepção é uma decisão de risco formal: reconhece que um controlo não está aplicado, documenta porquê, define o que compensa e estabelece quando é revista. O que não está neste modelo não é uma excepção - é uma falha silenciosa.


Âmbito​

Aplica-se a qualquer situação em que um requisito ou controlo prescrito no SbD-ToE não seja aplicado na totalidade. Causas típicas:

  • limitação técnica demonstrável (ex: sistema legado, SaaS sem suporte ao controlo);
  • dependência externa incontrolável a curto prazo;
  • custo de implementação desproporcionado face ao risco efectivo do contexto;
  • migração faseada com janela de não-conformidade conhecida e delimitada;
  • conflito funcional ou contratual com evidência documentada.

A causa não tem de ser excepcional - mas o tratamento tem de o ser. Toda a não-aplicação de um controlo activa este processo, sem excepção.


Processo​

1. Identificação​

Definir com precisão o que está em causa:

  • ID canónico do requisito ou controlo (ex: ARC-003, DEP-007, IAC-003);
  • sistema, componente ou ambiente afectado;
  • nível de risco do contexto (L1, L2 ou L3).

A identificação incompleta invalida o registo.

2. Justificação técnica​

Responder explicitamente a três perguntas:

  1. Qual o motivo objectivo que impede a aplicação do controlo?
  2. A excepção é temporária (prazo) ou estrutural (sem solução previsível)?
  3. Existe alternativa técnica viável? Se sim, porque não é aplicada?

Justificações vagas ou genéricas não são aceites como fundamento de aprovação.

3. Avaliação de impacto​

Quantificar o risco residual criado:

  • que ameaças deixam de estar mitigadas?
  • o nível de risco do contexto é afectado pela ausência deste controlo?
  • o risco residual é aceitável com as compensações previstas?

4. Medidas compensatórias​

Identificar os controlos alternativos que reduzem o risco residual a um nível aceitável. A compensação não precisa de ser equivalente ao controlo em falta - precisa de ser proporcional ao risco residual e verificável.

Excepções sem compensação identificada são aprovadas apenas em L1 com justificação de risco negligenciável.

5. Aprovação formal​

A aprovação é explícita, registada e atribuída nominalmente a um papel com autoridade formal, de acordo com as alçadas definidas abaixo. Aprovações tácitas ou implícitas são inválidas.

6. Registo e activação do ciclo de monitorização​

Após aprovação, a excepção é registada com todos os campos obrigatórios e integrada no ciclo de validação continuada (ver addon/06-validacao-continuada.md). A partir deste momento está activa, tem prazo e gera obrigação de revisão.


Campos obrigatórios​

CampoObrigatórioNotas
ID da excepçãoSimEx: IAC-EXC-003-2025-07-10; formato pode ser adaptado por domínio
Requisito afectadoSimID canónico (ex: ARC-003) + tag operacional do projecto (ex: SEC-L2-ARC-003)
Sistema / componente / ambienteSim
Nível de risco (L1–L3)Sim
Justificação técnicaSimMotivo objectivo; sem vagas generalidades
Impacto e risco residualSim
Medida compensatóriaSimControlo alternativo aplicado ou comprometido
Quem pediuSimAutor do pedido - nome, função, equipa
Quem criou a avaliação de riscoSimResponsável pela análise de impacto e risco residual - nome e função
Quem aprovouSimAprovador formal - nome, função; conforme alçadas abaixo
Data de aprovaçãoSim
Cadeia de autoridadeSimVer secção abaixo
Evidências técnicasSimArtefactos que suportam justificação e compensação - relatórios de scanner, tickets, logs, ADRs, evidência de testes; referência por URL ou caminho rastreável
Data de expiraçãoSimTecto da Política 05 §7 (máx. absoluto 90 dias, em L1); extensão exige reavaliação
Trigger de revisãoSimData fixa ou condição (incidente, mudança arquitectural, etc.)

Campos em falta invalidam o registo. Um registo inválido não produz aprovação.


Cadeia de autoridade​

O registo de excepção não é o repositório dos artefactos de aprovação - é o índice que os referencia e garante que a cadeia é completa e rastreável. Os artefactos em si ficam nos sistemas onde foram produzidos (sistema de tickets, email, GRC, wiki).

O que o registo tem de capturar é a sequência de decisão: quem identificou o problema, quem escalou, quem avaliou o risco, quem deu instrução de avançar e com que condições.

Estrutura mínima obrigatória:

PassoPapelO que tem de ficar registadoReferência
Pedido de excepçãoDev / PM / ArquitectoDescrição do problema, motivo da impossibilidade técnica e contextoURL / ID
Instrução de escaladaTech Lead / BAOContexto de negócio, indicação de escalada e condições conhecidasURL / ID
Avaliação de riscoAppSecAnálise de impacto, risco residual e parecer sobre compensaçõesURL / ID
Aprovação formalConforme alçadas (L1/L2/L3)Decisão explícita com condições e validadeURL / ID

O meio não é prescrito - ticket, comentário num PR, nota num sistema GRC, registo em wiki, decisão num ADR. O que é prescrito é que cada passo tem de ter uma acção registada, datada e atribuída a um papel, com referência rastreável no campo correspondente.

Uma aprovação verbal sem registo não conta. Uma cadeia com passos em falta não produz aprovação válida.


Alçadas de aprovação​

NívelAprovação mínima
L1Responsável técnico (Tech Lead ou equivalente)
L2AppSec + responsável técnico
L3AppSec + GRC/CISO; medida compensatória obrigatória

Excepções L3 sem aprovação de AppSec e GRC/CISO são não conformes independentemente do conteúdo do registo.


Validade, renovação e expiração​

O prazo máximo é o da Política 05 §7, por nível e severidade; 90 dias é o tecto absoluto (L1). Extensões exigem nova avaliação completa - não são automáticas nem concedidas por omissão.

Excepções expiradas sem renovação activa constituem não conformidade a partir da data de expiração. Devem ser tratadas como tal no ciclo de auditoria.

Triggers de revisão obrigatória fora do prazo normal:

  • incidente de segurança com relação directa ao controlo em falta;
  • alteração de arquitectura, risco ou classificação do sistema afectado;
  • mudança de fornecedor, dependência ou ambiente com impacto no pressuposto da excepção.

Indicadores de maturidade​

O número e a qualidade das excepções activas num projecto são sinais directos de maturidade de segurança:

  • muitas excepções abertas em L3 indicam dívida técnica de segurança não gerida;
  • excepções com compensações verificáveis e prazo cumprido indicam processo funcionante;
  • excepções expiradas sem renovação indicam ausência de governação efectiva.

Ver kpis-governanca.md para os indicadores organizacionais associados.


Especificidades por domínio​

Cada capítulo de domínio define num ficheiro próprio os triggers característicos, campos adicionais, templates e integração com ferramentas. O processo desta secção aplica-se sempre, sem substituição.

CapítuloFicheiro de especificidades
Cap. 02 - Requisitos aplicacionaisaddon/08-gestao-excecoes.md
Cap. 04 - Arquitectura Seguraaddon/03-excecoes.md
Cap. 05 - Dependências e SBOMaddon/09-excecoes-e-aceitacao-risco.md
Cap. 06 - Desenvolvimento Seguroaddon/05-excecoes-e-justificacoes.md
Cap. 07 - CI/CD Seguroaddon/09-controle-excecoes-visibilidade.md
Cap. 08 - IaCaddon/09-gestao-excecoes.md

Referências cruzadas​

DocumentoRelação
addon/01-modelo-governancao.mdPapéis, alçadas e ciclo de decisão de governação
addon/06-validacao-continuada.mdCiclo de revalidação e gestão de expiração
addon/05-exemplos-praticos.mdExemplos concretos de excepções aprovadas
addon/08-diagramas-governanca.mdFluxograma do processo de aprovação
kpis-governanca.mdIndicadores de excepções activas e maturidade
SSDF GV.3 / RV.1Aprovação de excepções e gestão de desvios
ISO/IEC 27001 A.18.1.4Aceitação formal de riscos residuais
OWASP SAMM GovernanceRegisto e lifecycle de decisões excepcionais