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🛠️ Análise de Risco Residual

O conceito de risco residual é essencial para a tomada de decisão consciente e justificada sobre a segurança de uma aplicação ou sistema. Representa o risco que permanece após a aplicação de controlos, e deve ser sempre comparado com os limites de tolerância da organização.

Este ficheiro complementa o modelo de avaliação semiquantitativa apresentado anteriormente, introduzindo a lógica de "antes e depois dos controlos".

🔢 Definições e Relações

  • Risco Bruto (Inerente): Valor do risco antes da aplicação de qualquer controlo.
  • Risco Residual: Valor do risco remanescente após a aplicação efetiva dos controlos.
  • Risco Aceitável: Limite máximo de risco residual tolerado pela organização.

Risco Residual = Risco Bruto - Eficácia dos Controlos Aplicados

Na prática, esta subtração é avaliada qualitativamente ou reavaliando os fatores de impacto e probabilidade após os controlos.


📝 Exemplo Prático

Cenário: API de autenticação exposta

FatorValor InicialValor Após Controlos
Impacto (I)54 (uso de MFA e rate limiting)
Probabilidade (P)42 (hardening, WAF, alertas)
Risco Bruto = 5x4 = 20Risco Residual = 4x2 = 8

Neste caso, o risco é reduzido de "Crítico" para "Médio", o que pode ser aceitável para aplicações L1 ou L2.


🏛️ Papel do Risco Residual na Tomada de Decisão

O risco residual deve ser sempre comparado com os limiares definidos por nível de aplicação (L1–L3):

  • Se inferior ao limiar de aceitação: Pode ser aceite, com registo formal.
  • Se igual ou superior: Deve ser mitigado adicionalmente ou sujeito a tratamento (exceção, transferência, etc).

Tabela exemplo de decisão por nível:

Nível da AplicaçãoRisco Residual Aceitável (exemplo)
L1 (baixa criticidade)até 9
L2 (média criticidade)até 6
L3 (alta criticidade)até 4

✅ Benefícios da Análise de Risco Residual

  • Permite validação da eficácia dos controlos implementados.
  • Apoia decisões de "go/no-go" em deploys.
  • Proporciona base documental para justificar aceitação de risco.
  • Promove cultura de responsabilização e gestão consciente do risco.

⚠️ Riscos de Má Utilização

  • Considerar o risco residual como "valor fixo" em vez de dinâmico.
  • Não validar se os controlos foram efetivamente aplicados.
  • Aceitar riscos sem registo formal ou sem envolvimento de decisores.

🔄 Integração com o Ciclo de Vida e com o GRC

  • O risco residual deve ser revisto a cada alteração de arquitetura ou funcionalidade relevante.
  • Pode ser integrado em sistemas de GRC com thresholds automáticos.
  • Deve ser parte dos artefactos de revisão de segurança antes de releases.

📌 Recomendação Final

Todas as decisões sobre aceitação de risco residual devem ser:

  • Formalmente registadas
  • Justificadas com base em evidência técnica e impacto
  • Coerentes com os limiares definidos por nível da aplicação
  • Sujeitas a reavaliação periódica