Pular para o conteúdo principal

Os Cinco Macro-processos de Engenharia Segura

Os capítulos 01–14 organizam o Manual por áreas de capacidade. Cada um diz o que tem de existir e como se faz — com catálogo de requisitos, user stories, exceções, indicadores e proporcionalidade L1–L3. Uma organização pode ter todos esses mecanismos e, ainda assim, não os ter ligados. A falha sistémica que os macro-processos endereçam está na ausência de ligação governada entre mecanismos que existem: a classificação é feita mas não seleciona os requisitos; o threat model é aprovado mas os testes não fecham sobre as suas ameaças; o SBOM descreve um build que não é o que está em produção; a exceção é aprovada por quem não tem alçada; o indicador mede atividade em vez de estado.

Esta página descreve a outra dimensão do Manual: o que tem de permanecer ligado entre capacidades para que operem como um único sistema de engenharia segura. Chama-se a cada uma dessas ligações uma continuidade, e ao processo que a preserva um macro-processo. Os cinco macro-processos são ortogonais aos capítulos. Cada um é um percurso por vários capítulos — uma costura — e nenhum capítulo é dono de um macro-processo. O valor está nas transições: o que sai de um capítulo tem de ser exatamente o que entra no seguinte.

Os macro-processos não são fases do ciclo de vida — o SDLC está coberto na página Como Fazer de cada capítulo —, e não são capítulos novos. São invariantes no sentido que a Teoria de Tudo já lhes dá: condições que atravessam todo o SDLC, independentes de tecnologia, e cuja violação torna o sistema não auditável, não atribuível ou não defensável. Em conjunto, os cinco constituem a camada de ligação governada (governed linkage layer) do SbD-ToE. O Manual passa a responder, além de "o que tem de ser feito aqui?", à pergunta: "o que tem de permanecer ligado antes, durante e depois — e como se sabe que ainda está?"

Esta página segue o padrão da matriz transversal de verificação: não duplica nenhuma prescrição. Cada atividade citada abaixo vive no seu capítulo, com o requisito que a prescreve. A página é índice e definição de processo; a linguagem normativa só aparece quando repete uma prescrição existente citada.

Os cinco macro-processos

RótuloMacro-processoPercurso de capítulosContinuidadeInvariantePergunta que responde
MP1Classificar → Selecionar (CLASSIFY → SELECT)01 → 02 → 05–13AplicabilidadeUm perfil de segurança registado seleciona requisitos, gates, profundidade de revisão, evidência e formação."O que se aplica aqui?"
MP2Desenhar → Assegurar (DESIGN → ASSURE)03 → 04 → 10IntençãoAmeaças, decisões de arquitetura e testes fecham sobre o mesmo resultado declarado."O que foi desenhado e implementado satisfaz a intenção de segurança?"
MP3Construir → Executar (BUILD → RUN)05 → 07 → 09 → 11 → 12Proveniência / execuçãoA evidência de dependências, pipeline, artefacto, deployment e runtime descreve a mesma versão lançada."O que está a correr ou a agir é o que foi governado, verificado e autorizado?"
MP4Autorizar → Agir / Excecionar (AUTHORISE → ACT / EXCEPT)00 → 13 → 14 (ramo automatismos: 02)Autoridade e agênciaPapéis, deveres de fornecedor, automatismos e exceções exigem autoridade explícita e evidência retida. Capacidade não implica autoridade."Quem ou o quê pode decidir ou executar isto, em nome de quem, em que âmbito, e quando é obrigatória exceção ou escalada?"
MP5Medir → Melhorar (MEASURE → IMPROVE)00–14 (todos)Asseguramento e aprendizagemCada capítulo precisa de população elegível, contrato de evidência, dono e medida de estado resultante."O sistema funcionou, e o que tem de mudar?"

Como ler um macro-processo

Cada macro-processo é documentado com o mesmo template, na forma em que o Manual já documenta processos (precedente: o processo canónico de exceções). Finalidade e invariante enuncia a condição a preservar. Percurso de capítulos lista as transições, uma linha por passagem, com o que sai de um capítulo e tem de entrar no seguinte. Âmbito, Gatilhos, Entradas, Atividades e Saídas descrevem o processo; cada atividade cita o capítulo e pelo menos um requisito ou user story que a prescreve — um passo sem âncora não entra. Papéis usa apenas os 13 papéis canónicos. Pontos de controlo são os gates onde a continuidade pode quebrar, e o que os fecha. Evidência esperada reutiliza evidência já exigida. Indicadores reutilizam KPIs das páginas KPIs e Métricas de cada capítulo, declarados com a estrutura de medição de MP5 (população elegível · contrato de evidência · dono · estado resultante), sem números-alvo novos. Extensão a sistemas AI/agentic cita só o que já está prescrito. Proporcionalidade L1–L3 diz o que muda com o nível.

MP1 — Classificar → Selecionar

Finalidade e invariante

Um perfil de segurança registado seleciona requisitos, gates, profundidade de revisão, evidência e formação. A classificação de risco não é um documento: é o ato que torna vinculativas as colunas L1/L2/L3 de todos os catálogos. Se o nível existe mas não seleciona nada, o Manual reduz-se a um catálogo de boas práticas sem aplicabilidade; se cada capítulo decide o seu próprio nível, a proporcionalidade deixa de ser um sistema. MP1 preserva a ligação entre o perfil e tudo o que dele depende.

Percurso de capítulos

  • Classificação → Requisitos de Segurança (01 → 02). Sai a classificação E+D+I com nível L1–L3 aprovado pela entidade proporcional (CLA-001, CLA-002) e a matriz de controlos aplicada (matriz por nível de risco). Entra em Requisitos de Segurança (02) como seleção de requisitos por criticidade (US-01, REQ-003), com tags SEC-Lx-* no backlog (taxonomia de rastreabilidade).
  • Requisitos de Segurança → capítulos técnicos (02 → 05–13). Sai o backlog com SEC-Lx-* e referências aos requisitos do Cap. 02 validadas no pipeline (Requisitos de Segurança, US-04, US-12). Entra em cada capítulo técnico como aplicabilidade: CLA-003 estabelece que o nível determina o conjunto de controlos base — gates de CI/CD, requisitos de testes, frequência de revisões e obrigações de monitorização — e o Catálogo de Requisitos de cada capítulo declara nas colunas L1/L2/L3 o que é obrigatório para esse nível.
  • Piso independente. As oito obrigações mínimas transversais aplicam-se a todas as aplicações, independentemente do nível; a seleção por nível acrescenta, nunca subtrai.
  • Ramo de aquisição — Governança e Contratação (14). Fornecedores e terceiros têm aplicabilidade própria, proporcional ao risco: cláusulas (GOV-006) e validação pré-onboarding (GOV-007, com SBOM, SLA de incidentes e direito de auditoria em L3).

Âmbito

Aplica-se à aplicação (unidade de CLA-001 e do inventário CLA-008), ao fornecedor com acesso a dados, código ou pipelines (GOV-007) e ao agente AI, classificado por nível de autonomia A0–A4 por agente e por contexto (REQ-AGN-002). A alteração não é unidade de aplicabilidade própria: entra por via dos gatilhos de reavaliação.

Gatilhos

  • Aplicação nova ou em início de projeto (Classificação, US-01).
  • Alteração significativa — nova integração crítica, alteração de exposição, incidente de segurança, alteração regulatória — com reavaliação no prazo máximo de 30 dias (CLA-006; critérios documentados em CLA-004; lista de triggers no ciclo de vida do risco).
  • Ciclo periódico por nível: L1 anual, L2 semestral, L3 trimestral (CLA-005).
  • Alteração relevante de requisitos, que revê a seleção e pode disparar novo threat modeling (Requisitos de Segurança, US-02; REQ-005).
  • Introdução ou modificação de automação ou apoio à decisão, incluindo IA, quando altere pressupostos de validação, evidência ou reprodutibilidade (ciclo de vida do risco, triggers); e a regra de reforço da matriz: baixa detetabilidade, baixa evidenciabilidade, comportamento não determinístico ou elevada delegação com impacto real exigem controlos do nível imediatamente superior, independentemente do nível atribuído.

Entradas

  • Eixos Exposição, Tipo de Dados e Impacto Potencial e limiares L1–L3 (modelo de classificação, Classificação).
  • Inventário central de aplicações com nível, revisão, owner e estado (CLA-008, Classificação).
  • Matriz de controlos por nível de risco (Classificação).
  • Catálogos de requisitos com colunas L1/L2/L3 (capítulos 02–14) e as oito obrigações da baseline (Fundamentos).

Atividades

  1. Classificar a aplicação pelos três eixos e obter o nível L1–L3 — Classificação, CLA-001, US-01.
  2. Aprovar proporcionalmente e registar no inventário: L1 pelo responsável técnico, L2 por AppSec Engineer, L3 por Gestão Executiva / CISO — Classificação, CLA-002, CLA-008, US-15.
  3. Aplicar a matriz de controlos ao nível obtido — Classificação, CLA-003, US-02.
  4. Selecionar requisitos no backlog com SEC-Lx-* e registar a evidência da decisão — Requisitos de Segurança, REQ-003, US-01.
  5. Propagar a aplicabilidade aos capítulos técnicos: as linhas com ✔ na coluna do nível passam a exigir evidência — a matriz transversal formula a regra de roll-up ("para um sistema L2, todas as linhas com ✔ na coluna L2 têm de ter evidência") — Classificação, CLA-003; Testes de Segurança, Matriz Transversal de Verificação.
  6. Validar no pipeline a presença e o formato das tags e a ligação ao requisito do Cap. 02 — Requisitos de Segurança, US-12.
  7. Reavaliar por gatilho ou por ciclo, com registo do trigger, do nível anterior e novo e da justificação — Classificação, CLA-004, CLA-005, CLA-006, US-03; Requisitos de Segurança, US-02.
  8. Estender a fornecedores cláusulas e validação proporcionais ao risco — Governança e Contratação (14), GOV-006, GOV-007.

Saídas

  • Perfil de segurança registado: classificação aprovada + inventário + seleção de requisitos. Consumido por MP2 (o threat modeling formal aplica-se a L2+ — THR-001), por MP3 (gates e profundidade de verificação por nível), por MP4 (alçadas de aprovação por nível — GOV-003) e por MP5 (o inventário classificado é o denominador F-02 de todos os KPIs — ver MP5).

Papéis

  • Dono do processo: AppSec Engineer — valida o modelo aplicado, ajusta o nível e aplica a matriz (Classificação, "Quem está envolvido").
  • Participantes: Developer e Scrum Master / Team Lead (propõem a classificação; aprovação L1); Arquitetos de Software (revêem exposição e fluxos); Product Owner (seleciona requisitos no backlog; aprova aceitação de risco); Gestão Executiva / CISO (aprovação L3); GRC / Compliance (inventário e rastreabilidade — Classificação, US-15); Quality Assurance (QA) (valida cumprimento por nível antes do go-live — Classificação, US-05).

Pontos de controlo

  • Aprovação da classificação pela entidade proporcional ao nível (CLA-002). Sem aprovação registada, não há perfil.
  • Verificação de tags no PR (Requisitos de Segurança, US-12): um cartão sem SEC-Lx-* e sem ligação a requisito do Cap. 02 falha.
  • Validação antes do go-live (Classificação, US-05): checklist de controlos aplicáveis com evidência e nenhuma exceção não aprovada pendente.
  • Prazo de reavaliação após mudança significativa (CLA-006, 30 dias).
  • Completude do denominador: F-02 tem de ser igual a F-01 — toda a aplicação está classificada (estrutura de medição transversal).

Evidência esperada

  • Documento de classificação versionado e matriz de controlos aplicada (Classificação, US-01: classificacao-aplicacao.yaml, matriz-controlos-aplicada.md).
  • Inventário central com nível, data de revisão, owner, estado de conformidade e autoridade aprovadora (CLA-008).
  • Backlog com tags SEC-Lx-* e relatórios exportáveis (Requisitos de Segurança, US-04).
  • Registo de revisão com trigger, nível anterior e novo, justificação e responsável (Classificação, US-03).

Indicadores

Indicador (fonte)População elegívelContrato de evidênciaDono de recolhaEstado resultante
CLA-K01 — % aplicações do portfólio com classificação de risco formal documentada e acessível (Cap. 01)F-01 (inventário total)Classificação documentada e acessívelAppSec Engineer (T-01)Portfólio classificado; F-02 = F-01
CLA-K03 — % aplicações com alteração significativa cuja classificação foi atualizada em ≤ 30 dias (Cap. 01)F-02, por eventoRegisto de revisão datado após o triggerAppSec Engineer (T-01)Perfil atual face às alterações
CLA-K04 — % classificações de sistemas L2/L3 validadas por AppSec ou GRC (Cap. 01)F-02 (L2/L3)Validação por segundo par de olhos independente do ownerAppSec Engineer (T-01)Nível não é auto-avaliação
RQS-K01 — % aplicações com requisitos de segurança formalmente mapeados ao nível de risco classificado (Cap. 02)F-02, por nívelMapeamento requisitos ↔ nível disponívelAppSec Engineer (T-01)Seleção efetuada; estabelece F-03
RQS-K06 — # requisitos obrigatórios para o nível sem implementação e sem exceção formal (Cap. 02)Requisitos obrigatórios do nívelImplementação evidenciada ou exceção registadaAppSec Engineer (T-01)Zero lacunas não governadas

Extensão a sistemas AI/agentic

A aplicabilidade a agentes segue o mesmo movimento — classificar, depois selecionar —, com um eixo de contexto adicional: o nível de autonomia A0–A4, atribuído por agente e por contexto (projeto × ambiente × tarefa), reavaliado a cada mudança de contexto (REQ-AGN-002).

  • A classificação da aplicação identifica as ferramentas de automação e IA e reflete-as nos eixos E/D/I (Classificação, US-01); a matriz de controlos aplica a regra de reforço a automação com impacto real, com ou sem IA.
  • O nível A0–A4 seleciona os requisitos REQ-AGN-001..004 aplicáveis (a tabela por nível de risco em Governação do Uso de Automatismos) e os requisitos AI dos capítulos técnicos, todos L2+: DEP-011..014, ARC-014, THR-008, DPL-010, OPS-011..014.
  • A formação em uso seguro de IA e tooling é selecionada por perfil e nível (Formação e Onboarding, US-19).

Proporcionalidade L1–L3

Em L1 aplica-se o piso das oito obrigações e a matriz de nível baixo, com aprovação pelo responsável técnico e revisão anual. Em L2 a classificação é validada por AppSec Engineer (CLA-K04), a revisão de requisitos por alteração é obrigatória (Requisitos de Segurança, US-02) e a reavaliação é semestral. Em L3 a aprovação é de Gestão Executiva / CISO, a cadência trimestral, e a validação antes do go-live é formal com assinatura (Classificação, US-05).

Referências cruzadas

Cap. 01 — Classificação · catálogo CLA · modelo de eixos · ciclo de vida do risco · matriz de controlos por risco · Cap. 02 — ciclo de vida · lista de requisitos base · Baseline · catálogo GOV · governança de automatismos

MP2 — Desenhar → Assegurar

Finalidade e invariante

Ameaças, decisões de arquitetura e testes fecham sobre o mesmo resultado declarado. Um threat model aprovado, uma arquitetura revista e uma bateria de testes verde podem coexistir sem se referirem ao mesmo objeto: a ameaça mitigada "no papel", a decisão registada sem controlo, o teste que valida outra coisa. MP2 preserva a ligação entre a intenção de segurança e a evidência de que foi satisfeita, por dentro dos capítulos 03, 04 e 10, com o Requisitos de Segurança (02) como espinha de rastreabilidade.

Percurso de capítulos

  • Requisitos de Segurança → Threat Modeling (02 → 03). Saem os requisitos selecionados (REQ-003) e o gatilho de análise de ameaça após alteração de requisito (REQ-005). Entra em Threat Modeling (03) como threat modeling formal sobre a arquitetura real (THR-001, THR-002).
  • Threat Modeling → Arquitetura Segura (03 → 04). Sai o threat model com disposição explícita e owner por ameaça (THR-004), DFDs e trust boundaries (THR-002) e requisitos rastreáveis gerados (THR-005). Entra em Arquitetura Segura como threat modeling integrado nos fluxos críticos (ARC-005), sincronização threat modeling ↔ arquitetura (Arquitetura Segura (04), US-09) e decisões registadas em ADR (Arquitetura Segura, US-04).
  • Arquitetura Segura → Testes de Segurança (04 → 10). Saem os controlos decididos e a ficha de solução (Arquitetura Segura, US-02). Entram em Testes de Segurança (10) como estratégia formal de testes por nível (TST-001), cobertura mínima por componente crítico (TST-007) e regressão de segurança (TST-006).
  • Testes de Segurança → Requisitos de Segurança (10 → 02, fecho). Sai a evidência de testes ligada ao build (TST-004). Entra de volta em Requisitos de Segurança como validação por requisito (US-09: os requisitos do Cap. 02 → evidência) e como rastreabilidade requisito → ameaça → teste (REQ-006); o Threat Modeling fecha o mesmo laço na direção ameaça → requisito → backlog → validação (THR-005).

O requisito ARC-015 (agente AI como principal isolado com mandate) pertence a Arquitetura Segura, mas a continuidade que preserva é de autoridade, não de intenção: é tratado em MP4.

Âmbito

Aplica-se à aplicação L2+ (os requisitos THR-* e a maior parte dos TST-* são L2+), à alteração arquitetural significativa (THR-006; Arquitetura Segura, US-06, US-11) e ao componente AI/ML (THR-008, ARC-014).

Gatilhos

  • Nova aplicação L2+ antes do go-live (THR-001, THR-007).
  • Alteração arquitetural significativa, com atualização do threat model no máximo em 30 dias (THR-006; Threat Modeling, US-03; Arquitetura Segura, US-11 "arquitetura viva").
  • Alteração relevante de requisito (REQ-005).
  • Vulnerabilidade corrigida, que origina um teste de regressão (TST-006).
  • Execução do pipeline com alteração relevante sem referência a threat model atualizado (Threat Modeling, US-05, gate de consistência).

Entradas

  • Requisitos selecionados com SEC-Lx-* (MP1; Requisitos de Segurança).
  • Arquitetura real representada em DFDs com trust boundaries (THR-002); zonas de confiança documentadas (ARC-001).
  • Catálogo de ameaças mitigadas por capítulo (Ameaças Mitigadas), com força da mitigação rotulada.
  • Catálogo de padrões de arquitetura segura (Arquitetura Segura, US-13) e estratégia de testes (TST-001).

Atividades

  1. Modelar ameaças com metodologia estruturada — STRIDE como baseline, LINDDUN quando há dados pessoais, PASTA em alto risco — sobre DFDs atualizados — Threat Modeling, THR-002, THR-003, US-01.
  2. Dispor cada ameaça (mitigar, aceitar, transferir, excluir) com owner, gerar os requisitos rastreáveis e aprovar formalmente o modelo — Threat Modeling, THR-004, THR-005, US-09.
  3. Sincronizar com a arquitetura: integrar o resultado nos fluxos críticos, registar decisões em ADR com racional de segurança, manter a rastreabilidade decisão ↔ ameaça ↔ controlo ↔ requisito — Arquitetura Segura, ARC-005, ARC-001, US-04, US-09.
  4. Rever independentemente o threat model e a arquitetura antes do go-live em L2+ — Threat Modeling, THR-007; Arquitetura Segura, US-03.
  5. Definir critérios de validação por requisito e a estratégia e cobertura de testes por nível — Requisitos de Segurança, US-05; Testes de Segurança, TST-001, TST-007.
  6. Verificar com o oráculo adequado a cada atividade: SAST como gate (DEV-003, TST-002), DAST em staging (TST-005), regressão (TST-006), pentesting (TST-008) — a matriz transversal indexa todas as atividades e o seu grounding.
  7. Fechar sobre o requisito: validar o requisito → evidência e manter a matriz requisito → ameaça → teste — Requisitos de Segurança, US-09, REQ-006.
  8. Decidir o release com critérios de aceitação de segurança e aceitação explícita de risco residual; executar o gate arquitetural antes do go-live — Testes de Segurança, US-07; Arquitetura Segura, US-12, ARC-012 (L3).
  9. Excecionar desvios arquiteturais em ADR com aceitação de risco explícita e registo na matriz de rastreabilidade — Arquitetura Segura, exceções; o processo é o canónico (MP4).

Saídas

  • Threat model aprovado e versionado com decisões — consumido por MP3 (gates de promoção) e por MP4 (risco aceite entra na cadeia de autoridade; CLA-007 risco residual com owner e TTL).
  • Evidência de verificação ligada ao build (TST-004) — consumida por MP3 (promoção só com evidência) e por MP5 (RQS-K03, THR-K02).
  • Matriz requisito → ameaça → teste (REQ-006) — consumida por MP5 e por auditoria.

Papéis

  • Dono do processo: AppSec Engineer — facilita threat modeling e revisão de arquitetura, aprova formalmente riscos residuais, define a baseline de falsos positivos (TST-002).
  • Participantes: Arquitetos de Software (ADR, sincronização, threat modeling no desenho inicial L2–L3); Developer (implementação e anotações rastreáveis, DEV-009 em L3); Quality Assurance (QA) (critérios de validação, validação por requisito); Product Owner (critérios de aceitação de segurança, decisão go/no-go); Scrum Master / Team Lead (aprovação do threat model, Threat Modeling, US-09); Gestão Executiva / CISO (aprovação de arquitetura para L3 — ARC-012); DevOps / SRE (gate de consistência no CI/CD, Threat Modeling, US-05).

Pontos de controlo

  • Aprovação formal do threat model com responsável e evidência mínima (Threat Modeling, US-09).
  • Gate de consistência no CI/CD: alteração relevante sem referência a threat model atualizado ou justificação aprovada — não bloqueante com alerta em L2, bloqueante em L3 (Threat Modeling, US-05).
  • Revisão independente por AppSec antes do go-live em L2+ (THR-007).
  • Gate arquitetural antes do go-live — conformidade ou bloqueio com desvios rastreáveis (Arquitetura Segura, US-12; checklist formal assinada em L3, ARC-012).
  • Critérios de release: L2 bloqueia High/Critical; L3 nenhum crítico sem exceção formal (Testes de Segurança, US-07).

Evidência esperada

  • Threat model versionado com decisões e registo de aprovação (Threat Modeling, US-09).
  • ADR e ficha de solução alinhadas; registo de atualização (Arquitetura Segura, US-04, US-09).
  • Matriz ou ferramenta que demonstra requisito ↔ ameaça ↔ teste (REQ-006; THR-005).
  • Resultado e evidência por requisito (Requisitos de Segurança, US-09).
  • Relatórios de testes associados ao build, reproduzíveis e retidos (TST-004); checklist-arquitetura.md preenchida (Arquitetura Segura, US-12).

Indicadores

Indicador (fonte)População elegívelContrato de evidênciaDono de recolhaEstado resultante
THR-K02 — % ameaças identificadas no threat model com controlo associado ou risco aceite formalmente (Cap. 03)Ameaças identificadas, por threat modelDisposição explícita: controlo com referência ao requisito, mitigação com prazo, ou risco aceite com owner e registoAppSec Engineer (T-01)Nenhuma ameaça sem disposição
THR-K05 — % ameaças identificadas em threat model mapeadas a requisitos canónicos SbD-ToE (Cap. 03)Ameaças identificadasCampo de requisito por ameaçaAppSec Engineer (T-01)Ameaça ligada ao requisito
ARC-K02 — % decisões de arquitectura de segurança com ADR registado e rastreável a requisito ARC canónico (Cap. 04)Decisões de arquitetura de segurançaADR com responsável e referência ao requisitoAppSec Engineer (T-01)Decisão rastreável
RQS-K03 — % requisitos aplicados com rastreabilidade completa (requisito → controlo implementado → evidência de teste) (Cap. 02)Requisitos aplicados (F-03)Cadeia completa até evidência de testeAppSec Engineer (T-01)Intenção fechada por evidência
RQS-K05 — % requisitos com critério de aceitação verificado (testado ou auditado) vs apenas declarado como aplicado (Cap. 02)Requisitos aplicadosVerificação, não declaraçãoAppSec Engineer (T-01)Verificado, não declarado
TST-K04 — % findings críticos/altos em regressão (Cap. 10)Findings declarados resolvidosReaparecimento em 90 diasAppSec Engineer (T-03)Correção que se mantém

Extensão a sistemas AI/agentic

Componentes AI/ML entram no mesmo laço com um threat model estendido (THR-008; Threat Modeling, US-11 para agentes com tool-use, US-12 para componentes não-agentic) e com padrões arquitetónicos dedicados — trust boundaries explícitas entre dados de treino, artefactos de modelo e endpoints de inferência (ARC-014; Arquitetura Segura, US-18). Do lado da verificação, as eval suites contínuas (Testes de Segurança, §C5) são o oráculo comportamental de agentes; a sua função como gate de release (DPL-010) pertence a MP3.

Proporcionalidade L1–L3

Em L1 aplicam-se as zonas de confiança (ARC-001), o SAST como gate (DEV-003) e a validação funcional de requisitos (REQ-001); o threat modeling formal e a rastreabilidade requisito → ameaça → teste começam em L2. Em L2 o threat model é obrigatório, revisto por AppSec antes do go-live, sincronizado com ADR, e o DAST corre em staging. Em L3 acrescem a revisão independente e PASTA em alto risco (Threat Modeling, US-14), a aprovação formal de arquitetura (ARC-012), a validação automática de topologia (ARC-013), IAST e fuzzing (TST-009, TST-010) e anotações rastreáveis no código (DEV-009).

Referências cruzadas

Cap. 03 — Threat Modeling · catálogo THR · metodologias e ferramentas · ameaças mitigadas · Cap. 04 — Arquitetura · catálogo ARC · exceções arquiteturais · Cap. 10 — Testes · catálogo TST · matriz transversal de verificação · Cap. 02 — lista de requisitos base

MP3 — Construir → Executar

Finalidade e invariante

A evidência de dependências, pipeline, artefacto, deployment e runtime descreve a mesma versão lançada. Um SBOM correto de um build que não é o que foi promovido, uma assinatura verificada num artefacto diferente do que está a correr, ou um deploy sem ligação ao commit de origem, são cada um uma quebra de proveniência. MP3 preserva a identidade do que executa desde a dependência até ao sinal de runtime, e é o percurso que permite responder, num incidente, "o que está a correr é o que foi governado, verificado e autorizado?".

Percurso de capítulos

  • Dependências → CI/CD Seguro (05 → 07). Saem o SBOM por build (DEP-001), o verdict SCA com bloqueio por severidade (DEP-002) e as versões fixas com integridade por hash (DEP-003). Entram em CI/CD Seguro como gates de segurança bloqueantes antes de promoção (CIC-004) e cobertura de SBOM no pipeline (CI/CD Seguro (07), US-08).
  • Desenvolvimento Seguro → CI/CD Seguro (06 → 07). Saem o código com proveniência identificada (DEV-006) e o SAST como gate de integração (DEV-003). Entram como condição de promoção no pipeline (CIC-004).
  • CI/CD Seguro → Containers e Imagens (07 → 09). Sai o artefacto assinado ou com hash, com proveniência (commit SHA, run ID, ambiente de build) verificável antes de promoção (CIC-007; execução identificável por ID único, CIC-005). Entra em Containers e Imagens (09) como imagem a partir de base aprovada (CNT-001), assinada (CNT-007), com SBOM por imagem (CNT-008).
  • Infraestrutura como Código (08). A infraestrutura declarada em código segue a mesma disciplina: módulos com versão imutável (IAC-004), plan aprovado antes de apply (IAC-007), drift detetado entre IaC e estado real (IAC-012).
  • Containers e Imagens → Deploy Seguro (09 → 11). Sai a imagem verificada por admission control (CNT-009). Entra em Deploy Seguro (11) como promoção apenas de artefactos com proveniência verificada (DPL-002), gates automáticos (DPL-003) e aprovação formal (DPL-001), com rastreabilidade end-to-end do deploy (DPL-004).
  • Deploy Seguro → Monitorização e Operações (11 → 12). Sai o deploy identificado (quem aprovou, artefacto + commit SHA, quando, ambiente, gates executados — DPL-004). Entra em Monitorização e Operações (12) como monitorização durante e após o deploy (DPL-008), logging estruturado e persistente (OPS-001), catálogo de eventos críticos (OPS-002) e sinal contínuo de saúde (OPS-015).
  • Monitorização e Operações → Dependências (12 → 05, laço). Uma CVE detetada em produção volta a Dependências (05) pela rastreabilidade SBOM → vulnerabilidade → correção (DEP-010) e pelo SLA por severidade (DEP-007); um incidente volta ao commit de origem por DPL-004 e, se necessário, ao rollback testado (DPL-005).

Âmbito

Aplica-se à versão lançada (build → artefacto → imagem → deploy → processo em runtime), ao pipeline enquanto código (CIC-001), à infraestrutura declarada (Infraestrutura como Código, 08) e ao agente AI em operação (ver extensão).

Gatilhos

  • Cada build (DEP-001), cada PR (DEV-003) e cada promoção entre ambientes (CIC-004, DPL-003).
  • CVE nova em dependência ou imagem, com SLA por severidade (DEP-007, TST-003); atualização da imagem base (CNT-010).
  • Drift entre IaC e estado real (IAC-012) ou drift operacional pós-deploy (Deploy Seguro, US-14).
  • Incidente em produção, que exige reconstituir o caminho até ao commit (DPL-004; CI/CD Seguro, US-09).
  • Mudança de versão de modelo, skill files ou system prompts em sistemas com agentes (DPL-010, DPL-011).

Entradas

  • Código revisto com checklist de segurança em componentes críticos (DEV-004) e guidelines por stack (DEV-001).
  • Dependências de registries controlados e aprovadas (DEP-005, DEP-006); imagens base de origem aprovada (CNT-001); IaC versionado com histórico intacto (IAC-005).
  • Gates e profundidade de verificação por nível (MP1); threat model e evidência de testes (MP2); aprovação de deploy por papel autorizado (MP4).

Atividades

  1. Inventariar e verificar dependências por build: SBOM, SCA com bloqueio, versões fixas, proibição de cópia manual — Dependências, DEP-001..004.
  2. Construir com gates de integração: linters e rulesets (DEV-002), SAST (DEV-003), secrets scanning (CIC-003, IAC-011) — Desenvolvimento Seguro, CI/CD Seguro, Infraestrutura como Código.
  3. Executar o pipeline como código, com triggers restritos a fontes autorizadas e runners isolados — CI/CD Seguro, CIC-001, CIC-002, CIC-006.
  4. Assinar e registar proveniência do artefacto e da imagem: commit SHA, run ID, assinatura verificada antes de promoção — CI/CD Seguro, CIC-007; Containers e Imagens, CNT-007, CNT-008.
  5. Aplicar policy-as-code e admission control: IaC validado antes de apply (IAC-003, IAC-007), containers admitidos só por política (CNT-009) — Infraestrutura como Código, Containers e Imagens.
  6. Promover só com proveniência verificada, gates passados e aprovação humana — Deploy Seguro, DPL-002, DPL-003, DPL-001; a separação entre sinal automático e decisão de promoção é explícita (CI/CD Seguro, US-15; Deploy Seguro, US-16).
  7. Registar o deploy com rastreabilidade end-to-end e evidência (Deploy Seguro, DPL-004, US-17) e validar em staging antes de produção (DPL-007).
  8. Observar em runtime: logging estruturado e centralizado, eventos críticos, alertas, sinais de saúde, deteção de drift — Monitorização e Operações, OPS-001, OPS-002, OPS-004, OPS-005, OPS-015; Infraestrutura como Código, IAC-012.
  9. Fechar o laço de vulnerabilidade e de incidente: SBOM → CVE → correção (DEP-010); rollback testado com SLA (DPL-005); reprodutibilidade de incidentes em runtime (Deploy Seguro, US-15).

Saídas

  • Release rastreável (ID de pipeline, hash de artefacto, commit, aprovador, gates) — consumido por MP5 (DPL-K06) e por auditoria e resposta a incidentes.
  • Telemetria de runtime — consumida por MP5 (OPS-010, MTTD/MTTR) e por MP2 (uma vulnerabilidade corrigida origina teste de regressão, TST-006).
  • Findings e desvios — consumidos por MP4 quando exigem exceção (páginas de exceções dos capítulos 05–12).

Papéis

  • Dono do processo: DevOps / SRE — integra verificações no pipeline, automatiza gates, garante execução segura e mantém a monitorização.
  • Participantes: Developer (código, dependências, imagens); AppSec Engineer (política de severidade, baseline de SAST, revisão de gates); Operações (Ops) (runtime, deteção e resposta); Product Owner (aprovação de deploy e rastreabilidade commitdeploy, Deploy Seguro, US-05); GRC / Compliance (rastreabilidade commitpipelinerelease para auditoria, CI/CD Seguro, US-09); Gestão Executiva / CISO (notificação obrigatória em emergency deploy, Deploy Seguro, exceções de deploy).

Pontos de controlo

  • Gate SCA com bloqueio por severidade (DEP-002) e gates de pipeline bloqueantes antes de promoção (CIC-004).
  • Verificação de assinatura e proveniência antes de promoção (CIC-007, CNT-007, DPL-002): artefacto sem proveniência verificável é rejeitado.
  • Admission control (CNT-009) e plan aprovado antes de apply (IAC-007).
  • Aprovação humana de deploy para ações irreversíveis (DPL-001; CIC-004), sem bypass automatizado; bypass de gate só com aprovação formal registada (CIC-K02).
  • Janela de observação pós-deploy (DPL-008) e deteção de falha de ingestão de logs (OPS-004): a monitorização que deixa de receber é sinal, não silêncio.

Evidência esperada

  • SBOM ligado ao build que o gerou (DEP-001); relatório SCA por execução (DEP-002); rastreabilidade SBOM → CVE → ação (DEP-010).
  • Execução de pipeline identificável com inputs, resultado e aprovador (CIC-005); artefacto com commit SHA e run ID (CIC-007).
  • SBOM e assinatura por imagem no registry (CNT-007, CNT-008); logs de admissão e rejeição (CNT-009).
  • Registo de deploy com ID, aprovador, artefacto, ambiente e gates (DPL-004).
  • Logs estruturados persistidos fora da instância e retidos conforme política (OPS-001, OPS-003).

Indicadores

Indicador (fonte)População elegívelContrato de evidênciaDono de recolhaEstado resultante
DEP-K01 — % aplicações com SBOM gerado automaticamente e actualizado a cada release (Cap. 05)F-02, por releaseSBOM ligado ao buildAppSec Engineer (T-01, T-05)Inventário da versão lançada
CIC-K03 — % artefactos de build assinados digitalmente e com verificação de assinatura antes de deploy (Cap. 07)Artefactos de build, por releaseAssinatura e verificação registadasAppSec Engineer (T-01)Artefacto com proveniência
CNT-K03 — % imagens de produção assinadas digitalmente e com verificação de assinatura antes de deploy (Cap. 09)Imagens em produçãoAssinatura verificada por admissionAppSec Engineer (T-01, T-05)Imagem é a que foi construída
DPL-K06 — % releases com artefacto de evidência de deploy rastreável (ID de pipeline, hash de artefacto, timestamp) (Cap. 11)ReleasesEvidência de deploy com os três identificadoresAppSec Engineer (T-01)Deploy liga-se ao build
DEP-K02 — % CVEs críticos (CVSS ≥ 9.0) em dependências directas mitigados dentro de SLA (Cap. 05)CVEs críticos detetadosMitigação registada dentro do SLA do nívelAppSec Engineer (T-03)Versão lançada sem crítico fora de SLA
IAC-K02 — # recursos de infraestrutura com drift detectado e não resolvido em mais de 7 dias (Cap. 08)Recursos geridos por IaCRelatório de drift e resoluçãoAppSec Engineer (T-01)Estado real = estado declarado

Extensão a sistemas AI/agentic

Num sistema com agentes, a identidade do que executa inclui o modelo e a sua versão, os prompts e skill files, a configuração de tools e servidores MCP e o mandate sob o qual opera. O Manual já prescreve cada um destes elementos ao longo do mesmo percurso:

  • Dependências — inventário e proveniência de dependências AI/ML (DEP-011), AI BOM por build em CycloneDX ml-bom com modelos, datasets, servidores MCP/tools e prompts embebidos (DEP-012; Dependências, US-14), versão fixa de modelos e providers sem latest nem ranges (DEP-013), lista de providers aprovados (DEP-014).
  • Desenvolvimento Seguroprompts, skill files, agent files e rules geridos como código, com code review, secret scanning e drift detection; structured outputs validados lado-servidor contra schema versionado (Desenvolvimento Seguro, US-15; prompts como código).
  • CI/CD Seguro — agentes como principals do pipeline com identidade workload efémera, scopes por tool, TTL ≤ 1h e audit event por tool invocation com mandate_ref (CI/CD Seguro, US-19).
  • Containers e Imagens — pesos de modelo self-hosted como ativo crítico, com hash SHA-256 declarado no AI BOM e validado no arranque do runtime (inferência self-hosted).
  • Deploy Seguroeval suite como gate obrigatório quando a promoção altera modelo, skill files ou system prompts, com rollback de modelo independente do aplicacional (DPL-010); canary de versão maior de modelo e demoção automática de nível de autonomia em falha (DPL-011; Deploy Seguro, US-18).
  • Monitorização e Operações — telemetria dedicada (OPS-011), audit completo por tool invocation (OPS-012), budget e deteção de runaway (OPS-013), deteção de jailbreak e off-policy actions contra o scope do mandate (OPS-014; Monitorização e Operações, US-13).

O mandate que define o que o agente pode fazer é matéria de MP4; MP3 garante que o que corre é o que o mandate referencia.

Proporcionalidade L1–L3

Em L1 são obrigatórios SBOM, SCA com bloqueio, versões fixas, gates de pipeline, aprovação formal de deploy, rollback testado e logging estruturado (colunas L1 dos catálogos). Em L2 acrescem assinatura e proveniência de artefactos e imagens (CIC-007, CNT-007), runners isolados (CIC-006), validação em staging (DPL-007), SIEM (OPS-004) e os requisitos AI (DEP-011..014, DPL-010, OPS-011..013). Em L3 acrescem proteção contra execução não autorizada em runners (CIC-010), policy-as-code em IaC (IAC-009), políticas de rede por namespace (CNT-012), deploy progressivo (DPL-009), canary de modelo (DPL-011), correlação e deteção comportamental (OPS-008, OPS-009) e deteção de jailbreak (OPS-014).

Referências cruzadas

Cap. 05 — Dependências · catálogo DEP · Cap. 06 — Desenvolvimento · catálogo DEV · Cap. 07 — CI/CD · catálogo CIC · Cap. 08 — IaC · catálogo IAC · Cap. 09 — Containers · catálogo CNT · Cap. 11 — Deploy · catálogo DPL · Cap. 12 — Monitorização · catálogo OPS

MP4 — Autorizar → Agir / Excecionar

Finalidade e invariante

Papéis, deveres de fornecedor, automatismos e exceções exigem autoridade explícita e evidência retida. Capacidade não implica autoridade: ter acesso a um repositório, uma credencial de deploy ou um agente com tools não é o mesmo que ter o direito de decidir ou executar. MP4 preserva a ligação entre quem (ou o quê) age e a autoridade sob a qual age — nascida nos papéis (Fundamentos · Papéis, 00), habilitada pela competência (Formação e Onboarding, 13), exercida ou excecionada sob governação e contratação (Governança e Contratação, 14) — e estende-a aos agentes AI como caso especial de "quem age" (Requisitos de Segurança, 02).

Percurso de capítulos

  • Fundamentos · Papéis → Formação e Onboarding (00 → 13). Saem os 13 papéis canónicos e o ownership de segurança por aplicação (GOV-002). Entram em Formação e Onboarding como pré-condição de competência: onboarding obrigatório antes de trabalho autónomo (TRN-002), validado com critério objetivo (TRN-003), e acesso a ambientes L2+ condicionado a onboarding válido (TRN-004).
  • Formação e Onboarding → Governança e Contratação (13 → 14). Sai a competência validada e mantida (TRN-005, formação contínua L2/L3). Entra em Governança e Contratação como exercício de autoridade dentro de alçadas conhecidas por nível (GOV-003), gestão de exceções (GOV-004, GOV-005) e deveres de terceiros: onboarding técnico pré-acesso (GOV-013), revisão periódica de acesso (GOV-014), cláusulas e validação (GOV-006, GOV-007).
  • Governança e Contratação → Governação de automatismos (14 → 02, ramo automatismos). Sai o modelo de governação com alçadas. Entra em Requisitos de Segurança como mandate registado e versionado por agente (REQ-AGN-001), nível de autonomia por contexto (REQ-AGN-002), kill-switch (REQ-AGN-003) e intent declaration antes de ação destrutiva (REQ-AGN-004); o agente opera como principal isolado com mandate e least privilege (ARC-015); o mandate é instrumentado pela Policy 38.

A espinha dorsal do ramo "Excecionar" é o processo canónico de exceções de Governança e Contratação: o processo, as alçadas e o ciclo de vida são invariantes e definidos aí; cada capítulo de domínio acrescenta triggers e campos próprios, sem substituição.

Âmbito

Aplica-se à pessoa num papel (colaborador, owner de segurança, aprovador), ao terceiro com acesso a código, pipelines ou dados (TRN-007, GOV-013), ao agente AI em uso operacional (A1+, REQ-AGN-001) e a toda a decisão de risco ou exceção — qualquer não-aplicação total de um requisito ou controlo prescrito ativa o processo canónico.

Gatilhos

  • Entrada de colaborador ou mudança de função (Formação e Onboarding, US-01; TRN-002); designação ou rotação de owner de segurança (Governança e Contratação, US-09).
  • Onboarding de fornecedor ou contractor (GOV-007, GOV-013); revisão periódica de acesso — semestral em L1, trimestral em L2/L3 (GOV-014); offboarding (Governança e Contratação, US-17).
  • Pedido de exceção (processo canónico, passo 1); expiração — prazo máximo por defeito de 90 dias — ou trigger fora de prazo: incidente relacionado com o controlo em falta, alteração de arquitetura, risco ou classificação, mudança de fornecedor, dependência ou ambiente (GOV-005; processo canónico, "Validade, renovação e expiração").
  • Novo agente, ou mudança de nível de autonomia, scope ou allowlist de tools, que reabre o ciclo proposta → aprovação (Requisitos de Segurança, US-15).
  • Emergency deploy — o único cenário com aprovação post-facto, no prazo máximo de 24h e com notificação a Gestão Executiva / CISO antes ou durante (exceções de deploy).

Entradas

  • Modelo formal de governação com papéis, responsabilidades e ciclo de decisão (GOV-001); os 13 papéis (Fundamentos).
  • Classificação por nível (MP1), que fixa as alçadas (GOV-003).
  • Trilhos de formação por perfil e nível (TRN-001); contratos com cláusulas de segurança (GOV-006).
  • Esquema mínimo de mandate (Policy 38; Requisitos de Segurança, US-15).

Atividades

  1. Definir papéis e atribuir ownership por aplicação, com competência e autoridade para decidir no âmbito do projeto — Governança e Contratação, GOV-001, GOV-002, US-09 (o owner L2/L3 completa a formação de Formação e Onboarding).
  2. Condicionar a autoridade à competência: onboarding validado antes de trabalho autónomo e de acesso a L2+; formação contínua semestral (L2) ou trimestral (L3); onboarding equivalente para terceiros — Formação e Onboarding, TRN-002, TRN-003, TRN-004, TRN-005, TRN-007.
  3. Exercer a autoridade dentro das alçadas: L1 responsável técnico; L2 AppSec + responsável técnico; L3 AppSec + GRC/CISO com medida compensatória obrigatória — Governança e Contratação, GOV-003; processo canónico, "Alçadas de aprovação". Decisões fora de alçada escalam de forma definida e rastreável.
  4. Excecionar pelo processo canónico em seis passos — identificação, justificação técnica, avaliação de impacto, medidas compensatórias, aprovação formal, registo e ativação da monitorização — com os campos obrigatórios, a cadeia de autoridade (quem pediu, quem avaliou, quem aprovou) e prazo máximo de 90 dias; aprovações tácitas são inválidas; exceção expirada sem renovação é não conformidade — Governança e Contratação, GOV-004, GOV-005, processo canónico; Requisitos de Segurança, US-03.
  5. Aplicar as especificidades por domínio, sem substituir o processo: identificação pelo ID canónico do catálogo (Requisitos de Segurança); ADR com aceitação de risco e registo na matriz de rastreabilidade (Arquitetura Segura); registo YAML com aprovador e validade verificado no pipeline (Dependências (SBOM, SCA) (05)); marcações SAST não substituem a aprovação formal (Desenvolvimento Seguro (06)); exceção ativa visível nos logs e metadados do pipeline (CI/CD Seguro (07)); exceção expirada bloqueia automaticamente o pipeline (Infraestrutura como Código (08)); desativação global de uma policy é sempre não conforme (Containers e Imagens (09)); break-glass com aprovação post-facto em 24h (Deploy Seguro (11)); silenciamento com data de fim obrigatória e retenção de logs com prazo ditado pelo risco regulatório (Monitorização e Operações (12)).
  6. Mandatar automatismos e agentes: mandate em VCS com identidade, nível, scope, tools, ambientes, owner, approver, kill-switch e janela de validade; aprovação por nível — A1 Scrum Master / Team Lead; A2 + AppSec Engineer; A3 + GRC / Compliance; A4 Gestão Executiva / CISO em assinatura formal; kill-switch exercitado antes da ativação e periodicamente; mudança de nível reabre o ciclo — Requisitos de Segurança, REQ-AGN-001..004, US-15; Arquitetura Segura, ARC-015. Revisão humana e validação técnica independente não são desativáveis por "confiança na ferramenta" (Requisitos de Segurança, regras mínimas de governação).
  7. Governar terceiros: validação e cláusulas proporcionais antes do onboarding; preparação técnica e formação pré-acesso com acesso real concedido só depois; revisão periódica de acesso com remoção no próprio dia do que não é necessário; offboarding — Governança e Contratação, GOV-006, GOV-007, GOV-013, GOV-014, US-15, US-16, US-19, US-17.
  8. Reter a evidência da decisão: artefactos referenciáveis e cadeia de autoridade verificável (GOV-009); registo consolidado por aplicação que liga risco → requisitos → exceções → fornecedores → owner (GOV-008) — Governança e Contratação.

Saídas

  • Registo de exceções ativo, com validade e cadeia de autoridade — consumido por MP5 (GOV-K02..K04) e por MP1/MP2 (risco residual aceite com owner e TTL, CLA-007).
  • Mandate referenciável (mandate_ref) — consumido por MP3 (audit events OPS-012; identidade de pipeline, CI/CD Seguro, US-19).
  • Aprovação de deploy por papel autorizado — consumida por MP3 (DPL-001).
  • Acesso concedido, revisto ou revogado com evidência — consumido por MP5 (TRN-K03, GOV-K01).

Papéis

  • Dono do processo: GRC / Compliance — garante que exceções são registadas, aprovadas e temporárias, e que a cadeia de autoridade é verificável; consolida o registo organizacional.
  • Participantes: Gestão Executiva / CISO (responsabilidade final pela governação; aprovação L3; mandate A4); AppSec Engineer (avaliação de risco na cadeia de autoridade; aprovação técnica; approver A2+); Scrum Master / Team Lead (responsável técnico em L1; approver A1); Product Owner (aceitação de risco; autoriza releases só com critérios cumpridos); Security Champion (owner de segurança por aplicação; em função de RH, preparação de terceiros pré-acesso); Developer (proponente de exceção); Fornecedores / Terceiros (cumprem cláusulas, entregam evidência, submetem-se a validação); Auditores Internos e Externos (verificam a cadeia de autoridade retida).

Pontos de controlo

  • Acesso bloqueado até onboarding validado (TRN-004; Formação e Onboarding, US-01: bloqueio automático em Git e pipelines).
  • Aprovação formal explícita, nominal e registada — o processo canónico invalida aprovações tácitas e cadeias com passos em falta.
  • Expiração — 90 dias por defeito; a não renovação converte a exceção em não conformidade ativa (GOV-005).
  • Revisão periódica de acesso de terceiros com remoção no próprio dia (GOV-014; Governança e Contratação, US-19).
  • Reabertura do ciclo do mandate a cada mudança de nível, scope ou allowlistamendments informais são proibidos (Requisitos de Segurança, US-15); kill-switch exercitado (REQ-AGN-003).
  • Separação entre sinal automático e decisão de promoção, de bloqueio e de ação irreversível (CI/CD Seguro, US-15; Testes de Segurança, US-16; Deploy Seguro, US-16): a ferramenta sinaliza, o papel com autoridade decide.

Evidência esperada

  • Registo de exceção com todos os campos obrigatórios e cadeia de autoridade (processo canónico, "Campos obrigatórios").
  • Certificados e registos de conclusão no LMS; registos de bloqueio de acesso (Formação e Onboarding, US-01); registo "ready for access" de terceiros (Governança e Contratação, US-15).
  • Mandate versionado em VCS com mandate_ref (REQ-AGN-001); audit events com mandate_ref e autonomy_level (OPS-012).
  • Checklist de revisão de acesso assinada e relatório consolidado (Governança e Contratação, US-19); documento de designação de owner (Governança e Contratação, US-09).
  • Artefactos de decisão referenciáveis — ticket, nota, registo GRC, ADR (GOV-009).

Indicadores

Indicador (fonte)População elegívelContrato de evidênciaDono de recolhaEstado resultante
GOV-K02 — % excepções activas com cadeia de autoridade completa (quem pediu, quem avaliou, quem aprovou) (Cap. 14)Exceções ativasNome e função do requerente, avaliador e aprovador com alçadaGRC / Compliance com AppSec Engineer (T-02)Nenhuma exceção sem autoridade
GOV-K03 — % excepções activas com prazo de expiração definido e data de reavaliação agendada (Cap. 14)Exceções ativasData de expiração e reavaliação registadasGRC / Compliance com AppSec Engineer (T-02)Nenhuma exceção permanente
GOV-K04 — # excepções expiradas sem renovação formal (Cap. 14)Exceções com data de expiraçãoRenovação formal até ao dia seguinte à expiraçãoGRC / Compliance com AppSec Engineer (T-02)Zero não conformidades ativas por expiração
GOV-K01 — % aplicações com owner de segurança formalmente designado, registado e com formação válida (Cap. 14)F-02Designação registada e formação válida — owner sem formação conta para o denominador, não para o numeradorGRC / Compliance (T-04)Autoridade habilitada por competência
TRN-K02 — % owners de segurança e aprovadores de excepções com formação SbD válida (≤ 12 meses) (Cap. 13)Owners e aprovadoresRegisto de conclusão datadoGRC / Compliance (T-04)Quem aprova está formado
TRN-K03 — % fornecedores com acesso a código, pipeline ou dados de sistemas L2/L3 com formação ou questionário de segurança concluído antes de onboarding (Cap. 13)Fornecedores com acesso a L2/L3Conclusão anterior ao onboardingGRC / Compliance (T-04)Terceiro habilitado antes de agir
CIC-K02 — % bypasses de security gate com aprovação formal registada e rastreável (Cap. 07)Bypasses de gateResponsável, justificação, referência à exceção e timestampGRC / Compliance com AppSec Engineer (T-02)Nenhum bypass sem autoridade

Extensão a sistemas AI/agentic

O agente AI é o caso em que a distância entre capacidade e autoridade é maior: um agente com credenciais e tools pode fazer muito; o que está autorizado a fazer é apenas o que o mandate declara. O Manual fixa o modelo A0–A4 por contexto (REQ-AGN-002; A4 só com mandate assinado por Gestão Executiva / CISO e auditoria calendarizada), o mandate versionado (REQ-AGN-001), o kill-switch (REQ-AGN-003), a declaração de intenção antes de ação destrutiva (REQ-AGN-004) e o agente como principal não-humano distinto (ARC-015). A escada de aprovação por nível de autonomia (Requisitos de Segurança, US-15) é a alçada do ramo automatismos. Do lado humano, a formação em uso seguro de IA e tooling (Formação e Onboarding, US-19; conteúdos por perfil) é pré-condição de uso autónomo de tooling de IA; do lado contratual, os providers de modelos entram em contrato com cláusulas mínimas e classificação de risco (Governança e Contratação, US-21; DEP-014).

Proporcionalidade L1–L3

Em L1 a exceção é aprovada pelo responsável técnico, o onboarding é básico mas obrigatório antes de trabalho autónomo, e o onboarding técnico de terceiros é recomendado (GOV-013). Em L2 a aprovação exige AppSec Engineer mais responsável técnico, as alçadas estão documentadas (GOV-003), a formação contínua é semestral e a revisão de acesso de terceiros trimestral. Em L3 a aprovação exige AppSec Engineer e GRC / Compliance ou Gestão Executiva / CISO com compensação obrigatória, a formação é trimestral, e um agente A4 nunca opera sem mandate assinado por Gestão Executiva / CISO.

Referências cruzadas

Papéis e responsabilidades · Cap. 13 — Formação · catálogo TRN · Cap. 14 — Governança · catálogo GOV · processo canónico de exceções · governança de automatismos · Policy 38 — mandates de agentes · catálogo ARC

MP5 — Medir → Melhorar

Finalidade e invariante

Cada capítulo precisa de população elegível, contrato de evidência, dono e medida de estado resultante. Medir atividade ("sessões de formação realizadas", "scans executados") não diz se o sistema funcionou; medir estado ("% aplicações L2/L3 com threat model atualizado", "# exceções expiradas sem renovação") diz. MP5 preserva a ligação entre o que cada capítulo prescreve e a forma como se sabe, com evidência, se o estado prescrito foi produzido — e o que tem de mudar quando não foi.

Percurso de capítulos

MP5 atravessa os catorze capítulos com a mesma estrutura de medição, que o Manual já define na estrutura de medição transversal de Governança e Contratação (14) em três camadas — fundação de portfólio, indicadores de domínio, dimensões transversais — e num painel executivo:

  • Fundamentos e Classificação → todos os capítulos (00/01 → todos). Sai a fundação de portfólio: F-01 (total de aplicações) e F-02 (aplicações com classificação formal, por nível), estabelecida por CLA-K01 e pelo inventário CLA-008. Entra em cada capítulo como o denominador comum de todas as percentagens: "% aplicações com X" é sempre relativa a F-02 segmentado pelo nível relevante. F-03 (requisitos mapeados, RQS-K01) e F-04 (controlos validados com evidência) completam o funil.
  • Cada capítulo → dimensões transversais. Saem os indicadores de domínio das catorze páginas KPIs e Métricas, cada um com tipo, thresholds por nível, dimensão e período. Entram nas seis dimensões transversais T-01 (cobertura de controlos) a T-06 (maturidade SbD-ToE), cada uma com owner de recolha.
  • Dimensões → decisão. Sai o painel executivo. Entra na ação corretiva atribuída a owner com prazo (GOV-K08; GOV-010) e nos gatilhos dos outros macro-processos: reclassificação (MP1, CLA-004), regressão de segurança (MP2, TST-006), atualização de conteúdos formativos (MP4, TRN-006), renovação de exceções (MP4, GOV-005).

A estrutura de medição

Os quatro elementos da invariante têm cada um uma casa nos indicadores existentes:

ElementoOnde está no ManualO que responde
População elegívelFundação de portfólio F-01..F-04; "Denominador e fundação de portfólio" em cada página de KPIsDe que conjunto se fala? Sem F-02 completo, a percentagem não tem base interpretável.
Contrato de evidência"Definições complementares" e "Recolha e instrumentação" (fonte primária) em cada página de KPIs; "evidência obrigatória"O que conta como prova? Um indicador sem evidência é uma declaração.
Dono"Recolha e responsabilidades" por dimensão transversal (T-01/T-03 AppSec Engineer; T-02 GRC / Compliance com AppSec Engineer; T-04 GRC / Compliance; T-05 AppSec Engineer com GRC / Compliance (Procurement); T-06 Gestão Executiva / CISO com GRC / Compliance)Quem responde pelo número?
Medida de estado resultanteO próprio indicador — nomeado como estado ("% aplicações com…", "# … sem…"), não como atividadeO estado que a atividade devia produzir existe?

O dono está definido por dimensão transversal, não por indicador; e as aplicações que entram no denominador mas não no numerador (por exemplo, owner designado sem formação válida, em GOV-K01) são precisamente o que a estrutura torna visível.

Âmbito

Aplica-se às práticas, controlos e conhecimento da organização, medidos sobre o portfólio classificado. A evolução do próprio Manual é processo do programa de investigação e não entra aqui.

Gatilhos

  • Período de cada indicador (semanal a anual, conforme o catálogo); ciclo de validação contínua por tipo de ativo — L3 trimestral, L2 semestral, fornecedores críticos anual (GOV-010).
  • Avaliação estruturada anual de maturidade por domínio, com comparação obrigatória ao ciclo anterior (T-06; GOV-012 em L3).
  • Desvio face ao threshold do nível, que gera ação corretiva (GOV-011; Formação e Onboarding, US-18).
  • Incidente, que exige medir MTTD/MTTR (OPS-006, OPS-010) e verificar se a causa raiz é lacuna de formação (TRN-K05).

Entradas

  • Inventário classificado (F-01, F-02; CLA-008) e requisitos mapeados (F-03).
  • Os catorze catálogos de indicadores de domínio e o catálogo de governação (Governança e Contratação).
  • Evidência produzida pelos outros macro-processos: registo de exceções (MP4), releases rastreáveis e telemetria (MP3), matrizes de rastreabilidade e relatórios de teste (MP2).
  • Método de validação de claims por evidência (Metodologia de Validação de Claims): distinguir presença explícita, semântica, parcial e ausência real; não promover presença fraca a cobertura completa.

Atividades

  1. Estabelecer a fundação: inventário completo e classificado — F-02 igual a F-01 — antes de reportar qualquer percentagem de domínio — Classificação (01), CLA-008, CLA-K01; Governança e Contratação, estrutura de medição transversal.
  2. Recolher os indicadores de domínio com a fonte primária declarada e a evidência obrigatória — as catorze páginas KPIs e Métricas; prescrito em TRN-009 (formação), GOV-011 (governação), OPS-010 (monitorização).
  3. Agregar nas dimensões transversais T-01..T-06 e reportar no painel executivo — Governança e Contratação, estrutura de medição transversal; Governança e Contratação, US-05, US-11.
  4. Validar por evidência, não por plausibilidade: cada claim de cobertura tem backtrace para artefacto concreto; evidência insuficiente não permite considerar o risco residual baixo — Metodologia de Validação de Claims; Classificação, risco residual.
  5. Priorizar com contexto de ameaça: EPSS e KEV como camada sobre o CVSS, que antecipa a remediação e nunca a adia para além do SLA da severidade — Monitorização e Operações (12), EPSS/KEV; MTTD e MTTR medidos e comparados com ciclos anteriores — OPS-006, OPS-010.
  6. Agir sobre desvios: ação corretiva atribuída a owner com prazo; indicadores de contagem inversa com alvo zero (RQS-K06, GOV-K04, TRN-K05) tratados com o SLA de um finding crítico — Governança e Contratação, GOV-K08, GOV-010; Requisitos de Segurança (02) e Governança e Contratação (definições dos indicadores); Formação e Onboarding, US-18.
  7. Avaliar maturidade por domínio na escala 1–3 de T-06, com plano de evolução; domínio no mesmo nível durante dois ciclos sem plano ativo é estagnação — Governança e Contratação, T-06, GOV-012; a página Achievable Maturity de cada capítulo alinha com SAMM v2.1 e DSOMM e regista que alinhamento regulatório não é score de maturidade.
  8. Realimentar os outros macro-processos: vulnerabilidade corrigida → teste de regressão (TST-006); alteração de catálogo ou threat model → conteúdos formativos atualizados (TRN-006, TRN-K04); mudança significativa → reclassificação (CLA-004, CLA-006); sinais de jailbreak em produção → eval suite (Monitorização e Operações, US-13).

Saídas

  • Painel executivo e relatórios por período — consumidos por Gestão Executiva / CISO e GRC / Compliance.
  • Ações corretivas com owner e prazo — consumidas por MP1–MP4 nos seus gatilhos.
  • Avaliação de maturidade anual por domínio (T-06) — consumida pelo plano de evolução; é a base sobre a qual uma medição de maturidade SbD futura pode assentar, sem que esta página a defina.

Papéis

  • Dono do processo: GRC / Compliance — consolida KPIs de governação e maturidade (Governança e Contratação, US-05, US-11) e de capacitação (Formação e Onboarding, US-14, US-18), owner de recolha de T-04 e co-owner de T-02 e T-06.
  • Participantes: AppSec Engineer (owner de recolha de T-01, T-03, T-05); Gestão Executiva / CISO (T-06; decide sobre o painel); Operações (Ops) (MTTD/MTTR, cobertura de deteção); Product Owner e Scrum Master / Team Lead (ação corretiva no âmbito da aplicação); Security Champion (owner de segurança por aplicação, destinatário da ação corretiva); Auditores Internos e Externos (verificam evidência dos indicadores).

Pontos de controlo

  • F-02 = F-01 antes de qualquer percentagem: aplicações sem classificação invalidam o denominador.
  • Thresholds cumulativos por nível (L3 inclui as obrigações de L1 e L2) e indicadores inversos com alvo zero.
  • Evidência obrigatória por indicador: um valor sem fonte primária não é reportado como cobertura.
  • Comparação obrigatória com o ciclo anterior em T-06 e em OPS-010.
  • Desvio sem ação corretiva atribuída (GOV-K08 abaixo do threshold) é falha do próprio processo de medição.

Evidência esperada

  • Registos de indicadores por período com fonte primária (secção "Recolha e instrumentação" de cada catálogo).
  • Painel executivo com F-01..F-04 e T-01..T-06 (Governança e Contratação, estrutura de medição transversal).
  • Avaliação estruturada anual de maturidade com evidência por domínio (T-06; GOV-012).
  • Registo de ações corretivas com owner, prazo e fecho (GOV-010).

Indicadores

A tabela seguinte ilustra a estrutura de medição com três capítulos, preenchida a partir dos catálogos existentes. É exemplo de leitura, não catálogo novo.

CapítuloIndicadorPopulação elegívelContrato de evidênciaDono de recolhaEstado resultante
Cap. 03THR-K02 — % ameaças identificadas no threat model com controlo associado ou risco aceite formalmente (L2 ≥ 90%, L3 100%)Ameaças identificadas, por threat model, em aplicações de F-02 (L2/L3)Threat model com coluna de disposição por ameaça: controlo com referência ao requisito, mitigação com prazo, ou risco aceite com owner e registoAppSec Engineer (T-01)Nenhuma ameaça sem disposição — "ameaças sem disposição são lacunas de processo, não posições de risco consciente"
Cap. 07CIC-K02 — % bypasses de security gate com aprovação formal registada e rastreável (L1 ≥ 80%, L2/L3 100%)Bypasses de gate ativo, por eventoLogs de pipeline e registo de aprovação com responsável, justificação técnica, referência ao ticket ou exceção e timestamp; aprovações genéricas não são válidasGRC / Compliance com AppSec Engineer (T-02)Nenhum bypass sem autoridade
Cap. 14GOV-K04 — # excepções expiradas sem renovação formal (= 0 em todos os níveis)Exceções com data de expiração, semanalSistema de gestão de exceções com verificação automática de datas; expirada no dia seguinte à data sem renovação formalGRC / Compliance com AppSec Engineer (T-02)Zero não conformidades ativas por expiração — tratadas com o SLA de um finding crítico

Os indicadores de fundação e de segunda ordem que MP5 acompanha diretamente são F-01..F-04, CLA-K01, GOV-K07 (% aplicações com rastreabilidade organizacional completa e actualizada), GOV-K08 (% desvios com acção correctiva atribuída a owner com prazo) e T-06.

Extensão a sistemas AI/agentic

As fontes de medição prescritas para agentes são a telemetria dedicada (OPS-011), o audit por tool invocation (OPS-012), o budget de consumo (OPS-013) e a deteção de jailbreak e off-policy actions (OPS-014), em conjunto com as eval suites contínuas (Testes de Segurança, §C5) e os KPIs de formação em uso seguro de IA (Formação e Onboarding, US-19). A realimentação está prescrita: divergência entre intent event e ação real abre incidente (OPS-014), e sinais de produção alimentam a eval suite offline (Monitorização e Operações, US-13). A agregação destas fontes segue a mesma estrutura de medição — população (agentes A1+ com mandate), evidência (audit events com mandate_ref), dono (T-03), estado (agente dentro do mandate).

Proporcionalidade L1–L3

Os thresholds de cada indicador são definidos por nível nos catálogos e são cumulativos. Em L1 os indicadores são recolhidos com os thresholds de base e T-06 espera nível 1. Em L2 os thresholds apertam, a validação contínua é semestral e T-06 espera nível 2. Em L3 a maior parte dos indicadores exige 100%, o modelo de maturidade é ativo com evolução medida e planeada (GOV-012), a validação é trimestral e T-06 espera nível 3.

Referências cruzadas

Estrutura de medição transversal — Cap. 14 · KPIs de domínio — Governação · KPIs de classificação — Cap. 01 · risco residual · métricas e indicadores — Cap. 12 · KPIs de operações — Cap. 12 · EPSS/KEV · metodologia de validação de claims · matriz transversal de verificação

Matriz-resumo

Macro-processoPercurso de capítulosIDs-âncora principaisPágina de exceçõesPágina de KPIs
MP1 Classificar → SelecionarCap. 01Cap. 02 → Caps. 05–13; Baseline; Cap. 14 (aquisição e fornecedores)CLA-001CLA-008; REQ-003; US-01, US-02, US-12 (Cap. 02); GOV-006, GOV-007; níveis A0–A4Cap. 02Cap. 01 · Cap. 02
MP2 Desenhar → AssegurarCap. 03Cap. 04Cap. 10; Cap. 02 (requisitos e rastreabilidade)THR-001THR-008; ameaças mitigadas (ameaças mitigadas); ARC-001ARC-014; REQ-005, REQ-006; TST-001TST-010; matriz transversal de verificaçãoCap. 04 · Cap. 02Cap. 03 · Cap. 04 · Cap. 10
MP3 Construir → ExecutarCap. 05Cap. 07Cap. 09Cap. 11Cap. 12; Cap. 06 e Cap. 08 (artefactos construídos)DEP-001, DEP-011DEP-014; DEV-001; CIC-001; US-19 (Cap. 07); IAC-001; CNT-001; DPL-001, DPL-010, DPL-011; OPS-001, OPS-015Cap. 05 · Cap. 06 · Cap. 07 · Cap. 08 · Cap. 09 · Cap. 11 · Cap. 12Cap. 05 · Cap. 06 · Cap. 07 · Cap. 08 · Cap. 09 · Cap. 11 · Cap. 12
MP4 Autorizar → Agir / ExcecionarCap. 00Cap. 13Cap. 14; ramo automatismos: Cap. 0213 papéis canónicos; TRN-002, TRN-004, TRN-005; GOV-001GOV-005, GOV-013, GOV-014; REQ-AGN-001REQ-AGN-004; ARC-015; US-03, US-15 (Cap. 02); Policy 38Cap. 14 (processo canónico) + especificidades por domínio nos Caps. 02, 04, 05, 06, 07, 08, 09, 11, 12Cap. 13 · Cap. 14 · Cap. 02
MP5 Medir → MelhorarCaps. 00–14 (todos); estrutura de medição transversal (Cap. 14); Cap. 12 (métricas e priorização)F-01..F-04, T-01..T-06; 14 páginas de KPIs; CLA-K01, GOV-K07, GOV-K08, GOV-012; risco residual (Cap. 01); métricas e indicadores, EPSS/KEV (Cap. 12); matriz transversal de verificação (Cap. 10); metodologia de validação de claims (Cap. 00)Todas: Caps. 01 · 02 · 03 · 04 · 05 · 06 · 07 · 08 · 09 · 10 · 11 · 12 · 13 · 14

Fronteiras

  • Maturidade. Os indicadores de cada macro-processo estão declarados com a estrutura de medição de MP5 para que possam, no futuro, servir de base a uma medição de maturidade SbD. Esta página não define esse modelo. A dimensão T-06 de Governança e Contratação e o requisito GOV-012 já medem maturidade por domínio numa escala 1–3, e a página Achievable Maturity de cada capítulo alinha com SAMM e DSOMM; os macro-processos limitam-se a nomear, sobre esses instrumentos, o que tem de permanecer ligado.
  • Operating model. RACI, decision rights e cadências definem quem e quando, e vivem noutra superfície do programa. Os macro-processos definem o que tem de permanecer ligado; os papéis nomeados aqui são os que os capítulos já atribuem.
  • Ontologia e grafo de conhecimento. Os rótulos MP1–MP5 não são IDs de requisito; a vista processual é modelada na ontologia como MacroProcess desde v2.5.

Referências cruzadas

DocumentoRelação
Teoria de Tudo — invariantesDefine invariante; os macro-processos são a sua forma processual
Como usar o manualEstrutura por capítulo e proporcionalidade L1–L3
Papéis e responsabilidadesOs 13 papéis canónicos usados nesta página
BaselinePiso independente do nível (MP1)
Matriz transversal de verificaçãoPrecedente de índice sem duplicação; oráculos (MP2)
Processo canónico de exceçõesPrecedente de documentação de processo; espinha de MP4
Estrutura de medição transversalFundação F-01..F-04, dimensões T-01..T-06 (MP5)
Governança de automatismosNíveis A0–A4 e REQ-AGN-* (extensões AI de MP1, MP3, MP4)
Metodologia de validação de claimsEvidência sobre plausibilidade (MP5)
Catálogo de Requisitos de cada capítulo (01–14)Fonte de todos os IDs citados
KPIs e Métricas de cada capítulo (01–14; em Governança e Contratação, KPIs de Domínio)Fonte de todos os indicadores citados