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🛠️ Modelo Alternativo : Avaliação Semiquantitativa

A avaliação de risco semiquantitativa permite ultrapassar as limitações da abordagem meramente qualitativa, ao fornecer um modelo mais estruturado, mensurável e comparável - sem exigir dados estatísticos completos como nos modelos puramente quantitativos.

Este modelo é recomendado como alternativa ligeiramente mais avançada, mas acessível, ao modelo qualitativo descrito nos restantes ficheiros deste capítulo.

📌 Nota Técnica - Comparação com a Metodologia OWASP Risk Rating

A abordagem semiquantitativa aqui descrita visa fornecer uma alternativa prática ao modelo qualitativo baseado em eixos (ver 01-modelo-classificacao-eixos.md), mantendo um nível de estruturação suficiente para justificar decisões técnicas, sem exigir dados estatísticos nem competências avançadas de análise de risco.

Embora simplificada, esta abordagem permite:

  • Quantificação básica do risco, através de escalas discretas de impacto e probabilidade;
  • Categorização objetiva e rastreável dos riscos, com thresholds explícitos por nível L1–L3;
  • Decisões proporcionais sobre mitigação e controlo, integradas com os restantes capítulos do manual SbD-ToE.

Contudo, existem metodologias mais completas e rigorosas, como a OWASP Risk Rating Methodology (ORRM), que:

  • Decompõe o risco em múltiplos fatores técnicos (ex: skill level, exploitability, business impact);
  • Utiliza médias ponderadas para cálculo de likelihood e impacto, aumentando a granularidade e precisão;
  • É amplamente utilizada para análise de vulnerabilidades técnicas específicas, como parte de processos de pentest, gestão de findings ou triagem de bugs.

A metodologia OWASP Risk Rating pode e deve ser adotada quando a organização possuir maturidade suficiente, ferramentas de suporte, e necessidade de avaliação mais fina.

O modelo semiquantitativo aqui apresentado não pretende substituir modelos mais detalhados, mas sim servir como base mínima estruturada e compatível com os restantes elementos do SbD-ToE - nomeadamente na definição de proporcionalidade de controlos, testes, requisitos e validações em função do risco.

A decisão entre modelos deve considerar a maturidade da organização, a capacidade de adoção prática e o objetivo da análise de risco (macroclassificação vs. triagem granular de vulnerabilidades).

🌟 Objetivos da Avaliação Semiquantitativa

  • Priorizar riscos com maior precisão e objetividade.
  • Justificar decisões de mitigação baseadas em pontuação.
  • Suportar análises de custo-benefício de controlos.
  • Permitir integração com ferramentas de GRC ou SAST/DAST.

📊 Modelo de Scoring Mínimo Recomendado

A fórmula base:

Risco = Impacto × Probabilidade

Cada fator é avaliado numa escala discreta (ex.: 1–5), com definição clara dos critérios.

EscalaImpacto (I)Probabilidade (P)
1Impacto negligenciávelMuito improvável (1×/ano)
2Impacto limitado (interno)Pouco provável (1×/trimestre)
3Impacto moderado (operacional)Possível (1×/mês)
4Impacto elevado (legal/cliente)Provável (1×/semana)
5Impacto crítico (negócio em risco)Quase certo (constante/automatizável)

O resultado Risco = I × P pode depois ser mapeado para categorias:

Risco TotalCategoria
1–4Baixo
5–9Médio
10–15Alto
16–25Crítico

📈 Exemplo Aplicado

Cenário: API de autenticação exposta na internet

FatorAvaliaçãoJustificação
Impacto (I)5Comprometimento total de identidade de utilizadores
Probabilidade (P)4Exposição contínua + alvo comum de ataque
Risco = 5 × 4 = 20 → Crítico

🌟 Interpretação segundo Níveis L1–L2–L3

Para manter coerência com o modelo de três níveis de criticidade de aplicação (L1–L3) adotado em todo o manual SbD-ToE, propõe-se o seguinte enquadramento na interpretação dos resultados de risco:

Nível da aplicaçãoRisco aceitável sem mitigaçãoExige mitigação imediata se ≥
L1 (Baixa criticidade)até 9 (risco médio)≥ 15
L2 (Criticidade média)até 6≥ 10
L3 (Alta criticidade)até 4≥ 6

⚠️ Nota: Estes valores representam uma interpretação prescritiva do modelo para fins de segurança aplicacional. Podem divergir de alguns frameworks normativos, mas têm por base uma abordagem pragmática e alinhada com o princípio de proporcionalidade do SbD-ToE.


✅ Vantagens do Modelo Semiquantitativo

  • Mais objetivo e comparável que modelos apenas verbais (baixo/médio/alto).
  • Permite priorização automatizável (ex.: dashboards).
  • Apoia decisões de investimento em segurança baseadas em impacto.

⚠️ Riscos de Má Adoção

  • Arbitrariedade na atribuição de pontuações, sem critérios objetivos claros.
  • Inflacionamento artificial de scores para justificar controlos desejados.
  • Desalinhamento entre equipas técnicas e de negócio sobre o que representa “impacto” ou “probabilidade”.
  • Estagnação do scoring se não for revisto ao longo do tempo.

🤣 Conformidade com Modelos Avançados

Esta abordagem está alinhada com frameworks como:

  • ISO/IEC 27005: Recomenda avaliação semiquantitativa como boa prática em análise de risco.
  • OWASP Risk Rating Methodology: Usa scoring semelhante com fatores adicionais (facilidade de exploração, exposição, etc.).
  • NIST SP 800-30: Incentiva uso de escalas normalizadas para impacto e likelihood.

🛠️ Sugestões de Adoção

  • Definir escalas e critérios antes da aplicação.
  • Envolver stakeholders de negócio na definição de impacto.
  • Rever periodicamente os scores (ver xref:cap01#ciclo-vida-risco).
  • Usar planilhas rastreáveis ou ferramentas de GRC.